Quem nunca ouviu falar que a Amazônia é importante para combater
o aquecimento global? Pois é. Ao que tudo indica, essa questão ainda
gera dúvidas entre os cientistas, que não sabem dizer se essa região
pode ser mesmo considerada um “sorvedouro” de carbono. Recentemente, um
estudo brasileiro apontou para um quadro preocupante: há sinais de que a
floresta está emitindo cada vez mais carbono ao invés de absorver.
Paulo Artaxo, geofísico da USP e um dos autores de um estudo a
respeito, afirmou à Agência Fapesp que “a floresta desenvolveu, ao longo
de seu processo evolutivo, mecanismos que permitem recuperar o ponto de
equilíbrio da Amazônia. No entanto, isso tem um limite
que pode ser ultrapassado dependendo do grau de perturbação que o homem
provoca no ecossistema. Esse delicado equilíbrio precisa ser respeitado
para que o processo de ocupação da Amazônia não desestabilize ainda
mais o funcionamento do ecossistema”.
A conclusão foi publicada em um artigo da Nature, no qual estão
resumidos os balanços de 20 anos de pesquisas do LBA (Experimento de
Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia), o maior projeto de
pesquisa em ecologia e geociências da região.
“O LBA mostrou que em um período de forte estresse climático, como as
secas de 2005 e 2010, a floresta se torna uma pequena fonte de
carbono”, disse Artaxo em entrevista à “Folha de S.Paulo”.
Além disso, a pesquisa conclui que apesar de a Amazônia ser robusta o
suficiente para suportar fatores individuais de estresse – como secas,
desmatamentos e queimadas, por exemplo – a floresta pode não suportar
todos ao mesmo tempo.
Veja o infográfico feito pela Editoria de Arte da Folha, clicando aqui.
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