Por conta de efeitos das mudanças climáticas, perda de habitat e
doenças como o fungo chytridiomycosis, estudos recentes vêm
identificando anfíbios ameaçados ao redor do planeta.
Segundo divulgado em reportagem do jornal inglês “The Guardian”, um
em cada três tipos de sapos, rãs, salamandras e tritões figuram na lista
vermelha de espécies ameaçadas – divulgada recentemente pela União Internacional pela Conservação.
A justificativa dos cientistas é que esses bichos se encontram em
áreas muito vulneráveis a efeitos do aquecimento global e à exploração
de terra para o cultivo de alimentos. A necessidade de estarem próximos a
lagos e brejos e as condições delicadas da pele, geralmente úmida,
desse animais, intensifica os riscos.
O pesquisador Richard Hof da Universidade de Copenhagen explicou ao
jornal a conclusão sobre o estudo das regiões que abrigam a maior parte
das mais de 5.500 espécies de anfíbios: ”O que encontramos olhando os
efeitos das mudanças climáticas, é que muitas regiões tropicais, como a
parte nordeste da América do Sul, a região Andina e parte da África,
serão altamente impactadas.”
O que os cientistas ainda não sabem é se a fragmentação dos habitats e
a mudança no uso da terra implica diretamente na maneira como esses
animais reagem às mudanças de temperatura e demais condições adversas do
clima.
Entre as espécies citadas na lista vermelha, está o sapo Malagazy
arco-íris que vive nas áreas rochosas das florestas de Madagascar. Ele
tem a habilidade de se inflar quando sob ataque e pode escalar rochas em
ângulo vertical. Encontrado em uma área menor do que cem quilômetros
quadrados, é um alvo potencial para o tráfico de animais e os perigos da
extinção.
Já a salamandra gigante da China é outro animal criticamente
ameaçado. A maior de todas as espécies anfíbias, ela pode crescer a até
mais de um metro de comprimento. Diversas espécies europeias também
estão ameaçadas. Metade das espécies dessa importante classe poderá
sumir da Terra em até quarenta anos, ainda segundo os estudos.
Helen Meredith, conservacionista especializada em anfíbios da Sociedade Zoológica de Londres comentou ao jornal sobre dados divulgados em estudo sobre o tema, na revista Nature: ”O acompanhamento científico de um quarto das espécies é deficiente, o que significa que não sabemos se estão em perigo, ou não. Mas com certeza a metade de todas as populações está em declínio. E é simplesmente o que está acontecendo no momento.”
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