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domingo, 1 de abril de 2012

A sacola plástica, os oceanos e o consumo responsável

O acordo feito pelo estado de São Paulo e a Apas (Associação Paulista de Supermercados) para eliminação voluntária da distribuição gratuita de sacola plástica não degradável a partir de 3 de abril tornou os sacos plásticos a bola e o assunto da vez. Com fiéis defensores da banição e ásperos contrários, cada um tem sua opinião muito pessoal sobre o fim das sacolinhas.
Algumas reflexões são válidas para esclarecer o que está em jogo para os consumidores. Em primeiro lugar, o fim das sacolas gratuitas sinaliza e sensibiliza as pessoas para o fato de que o consumo responsável é uma realidade. Sabemos que a cultura de uso indiscriminado de descartáveis não é sustentável e que novos padrões de consumo são necessários e prementes.
Em segundo lugar, há um efeito real e palpável na diminuição do lixo plástico descartado de forma incorreta, que entope bueiros e polui nossos preciosos recursos hídricos. Em cidades como Belo Horizonte, onde a lei que proíbe as sacolas já vale há algum tempo, as pessoas dizem que é perceptível a maior limpeza de ruas e avenidas. E essa limpeza tem um impacto positivo maior do que se imagina; é um pequeno, porém importante, passo para despoluirmos os oceanos.
Em 2011, o capitão Charles Moore, americano estudioso da situação dos oceanos, lançou o livro “Oceano Plástico”1. O livro conta a saga do capitão, considerado o reponsável pela descoberta do “lixão do pacífico”, um gigantesco amontoado de dejetos plásticos espalhados em uma enorme área oceânica entre a costa americana e o Havaí. Há mais de dez anos ele se dedica ao estudo e mensuração da quantidade de plástico nos oceanos e dos potenciais impactos sobre os animais e ecossistemas marinhos. Busca também entender a origem dos plásticos descartados de forma incorreta para que seja possível propor novas leis (nacionais e internacionais) que previnam o agravamento da situação.
Segundo Charles Moore, praticamente todas as amostras coletadas nos oceanos durante suas expedições de pesquisa continham quantidade significativa de pequenas partículas plásticas provenientes da fragmentação do lixo, que aos poucos estão se incorporando na cadeia alimentar dos animais e outros organismos marinhos. Isso sem falar nos detritos de maior volume como redes e equipamentos pesqueiros, garrafas, e, claro, as famosas sacolinhas plásticas.
Para mudar essa preocupante realidade, temos de começar de algum lugar, certo? E no caso específico das sacolas, estamos falando de uma mudança que não implica em grandes sacrifícios. Cabe a cada um de nós pesar a perda de um pouco da nossa comodidade frente aos ganhos coletivos para a melhoria da qualidade ambiental de um planeta sufocado.
Repito aqui a pergunta feita por André Trigueiro2 em seu artigo sobre o uso indiscriminado dos sacos plásticos no Brasil: “Há muitos interesses em jogo. Qual é o seu?”
1 Plastic Ocean – How a sea captain’s chance discovery launched a determined quest to save the oceans
2 Mundo Sustentável 2, “A farra dos sacos plásticos”
*Letycia Janot (letyciajanot@iterconsultoria.com.br) e Maria Fernanda Franco(mffranco@iterconsultoria.com.br) são consultoras em sustentabilidade, sócias da Iter Consultoria (www.iterconsultoria.com.br) e fundadoras da ONG Igtiba, que  promove o consumo responsável tendo como principal projeto a iniciativa Água na Jarra (www.aguanajarra.com.br).

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