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A partir de 2012, o Brasil contará com o apoio de duas nações para aumentar a fiscalização e monitoramento do Cerrado, o segundo maior bioma do país. O Reino Unido fará um investimento de 16 milhões de dólares, administrado pelo Banco Mundial, enquanto a Alemanha fará uma doação de 8 milhões de euros.
Segundo nota oficial do Ministério do Meio Ambiente, parte do dinheiro das doações será aplicada no reforço das estruturas locais e estaduais de combate a queimadas e incêndios. O dinheiro do Reino Unido será destinado preferencialmente para dois estados onde o Cerrado está presente, mais ainda não foram definidos, e a doação do governo alemão será aplicada na região do Jalapão e entorno.
Todo mundo já ouviu falar no Cerrado. Mas em geral, são poucos os brasileiros que sabem a verdadeira importância que o Cerrado tem para o nosso território. Considerado a savana mais rica em biodiversidade do mundo, é o maior produtor de grãos do Brasil e ocupa há alguns anos a segunda posição na lista de biomas mais ameaçados por aqui. Atrás apenas da Mata Atlântica, esse ecossistema já perdeu cerca de 50% da sua cobertura original¹.
Desde a década de 1960, o Cerrado é palco de uma intensa expansão da fronteira agropecuária e ainda hoje é visto como mera fronteira para expansão do agronegócio². Esse é um dos motivos da degradação do Cerrado, presente em um quarto do território nacional, face a interesses econômicos e políticos.
Sua formação vegetal varia de florestas com árvores baixas e esparsas a campos com vegetação rasteira e é comumente designado como uma região árida e com deficiência hídrica, o que é uma falsa ideia.
O Cerrado é, na verdade, uma região com grande potencial hídrico, sendo considerado o berço das águas brasileiras. É lá que nascem os principais rios, inclusive alguns dos que compõem a bacia hidrográfica do Amazonas.
Apesar de ficar quase metade do ano sem chuva, o relevo da região permite à água da chuva infiltrar-se no solo, dando origem ao Aquífero Guarani, um dos maiores reservatórios subterrâneos de água do mundo.
Talvez por causa da imagem exuberante que temos da floresta amazônica, acabamos esquecendo um pouco desse bioma tão ameaçado e abrigo de pelo menos 5% da fauna e flora mundiais.
Nem no novo Código Florestal, aprovado este mês, esse bioma valorizado. Tudo indica que o desmatamento no Cerrado vai continuar de vento em popa, uma vez que os proprietários só precisarão preservar 35% da mata nativa.
O Ministério do Meio Ambiente já havia alertado há alguns meses: se as mudanças propostas para o código fossem aprovadas, o Cerrado seria o bioma mais afetado de todos. Agora, o que nos resta é esperar que esses investimentos externos sejam usados com sabedoria e com o objetivo de conter o desmatamento e ajudar a preservar esse incrível ecossistema.
¹ Dados do Ministério do Meio Ambiente
² De acordo com o artigo “Por que proteger o Cerrado?”
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