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quinta-feira, 5 de abril de 2012

Águas brasileiras: quantidade não significa qualidade

Em 2010, a ONU (Organização das Nações Unidas) declarou o acesso à água de boa qualidade e o saneamento básico direitos de todo ser humano. Importante frisar que ao ser considerado um direito, e não um bem, a declaração da ONU reforça a convicção de que por se tratar de um item absolutamente essencial em nossas vidas, a água não é e nem deve ser tratada como uma simples commodity. Infelizmente, estima-se que aproximadamente 1 bilhão de pessoas no mundo não tem ainda o seu direito de acesso à água limpa garantido.
Talvez isso não seja uma grande preocupação para nós, brasileiros urbanos, cuja grande maioria recebe água tratada de boa qualidade em sua casa. O Brasil é um país rico em água doce. Conta com aproximadamente 12% do total do planeta, o que nos deixa numa situação bem mais confortável do que a maioria dos países. Porém, quase 70% dessa água se concentra na região Norte do país, sendo que a região Sudeste, a mais populosa e industrializada, tem apenas 6% desse total.(1)
Além da questão da distribuição desigual da água em nosso território, temos outra ainda mais preocupante. A ANA (Agência Nacional de Águas) alerta que precisaremos de elevado nível de investimentos nos próximos anos para garantir o adequado abastecimento de água para nosso consumo.
Diante dessa situação, é necessário que a população esteja bem atenta àquilo que deve ser considerado um dos nossos patrimônios mais importantes: a água tratada das cidades e os mananciais que a fornecem.
Para garantir a qualidade das águas brasileiras, várias ações devem ser priorizadas. O saneamento básico, além de melhorar a qualidade dos recursos hídricos, também traz ganhos substanciais em saúde e qualidade de vida.
As áreas de mananciais devem ser protegidas, estando livres de lixo e esgoto não tratado. E, para quem não sabe, as empresas de abastecimento estão obrigadas a seguir normas rígidas de potabilidade estabelecidas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), fornecendo água limpa e segura para nosso uso.
O consumidor, por sua vez, tem a responsabilidade por manter sua caixa d’água limpa para evitar o risco de contaminação da água que fica armazenada antes do consumo.
Hoje, na maioria dos lares brasileiros, felizmente está disponível a água tratada de boa qualidade. Valorizar e dar preferência ao consumo dessa água em nossas casas e locais de trabalho é um ato de cidadania.  Essa deve ser sempre uma questão prioritária na agenda dos nossos governantes, cabendo também a nós garantir esse direito.
Letycia Janot (letyciajanot@iterconsultoria.com.br) e Maria Fernanda Franco (mffranco@iterconsultoria.com.br) são consultoras em sustentabilidade, sócias da Iter Consultoria (www.iterconsultoria.com.br) e fundadoras da ONG Igtiba, que  promove o consumo responsável tendo como principal projeto a iniciativa Água na Jarra (www.aguanajarra.com.br).

(1) Conjuntura dos recursos hídricos no Brasil, 2009 (ANA)

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