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terça-feira, 20 de agosto de 2013

Compostagem


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Composto
Compostagem é o conjunto de técnicas aplicadas para controlar a decomposição de materiais orgânicos, com a finalidade de obter, no menor tempo possível, um material estável, rico em húmus e nutrientes minerais; com atributos físicos, químicos e biológicos superiores (sob o aspecto agronômico) àqueles encontrados na(s) matéria(s)-prima(s).

Compostagem e biossólido

Ingredientes de composto
Encontrar um destino sustentável para o lodo de esgoto (ou biossólido) ainda é um desafio para as empresas geradoras e seus colaboradores. Muitas vezes, o envio do resíduo para um aterro sanitário torna-se a maneira mais prática de solucionar a questão do destino, mas esta via nem sempre se mostra a mais econômica, a mais segura ou a melhor escolha do aspecto ambiental.
O uso agronômico do lodo de esgoto (biossólido), como fonte de matéria orgânica e nutrientes para as culturas, respeitando-se as exigências normativas estabelecidas pelos órgãos fiscalizadores, não tem desapontado seus geradores nem tampouco seus receptores.
Algumas características tornam o lodo de esgoto um material agronomicamente interessante para aplicação no solo: em primeiro lugar, a concentração de nitrogênio e fósforo, por ser mais acentuada em alguns casos, chega a suprir totalmente as exigências de algumas culturas; em segundo lugar, ao se decompor, a matéria orgânica tende a transformar-se em uma substância mais estável, homogênea, de odor mais suave, de cor escura, conhecida por húmus. Uma das principais funções do húmus é modificar as propriedades físicas do solo, desta maneira aumenta-se a capacidade de retenção de água e nutrientes, melhora-se a estrutura e a aeração. Além disso, a presença de húmus no solo pode aumentar o aproveitamento dos fertilizantes minerais aplicados.
Entretanto, alguns lodos apresentam atributos que dificultam o uso agronômico (nesses casos o termo biossólido nem sempre é aplicável), por exemplo, o elevado teor de umidade, o mau cheiro, a presença de patógenos, a atração de vetores e a dificuldade para distribuição uniforme na superfície. Para utilizá-los em áreas agrícolas são necessários procedimentos relativamente dispendiosos para o gerador, entre eles o transporte especializado e ensaios laboratoriais exigidos para estimar a taxa de aplicação.
A compostagem, quando possível, constitui uma das melhores soluções para atenuar ou eliminar os fatores indesejáveis do lodo de esgoto. Por meio dela ocorrem as seguintes modificações no material primário: conversão biológica da matéria orgânica putrescível para uma forma estabilizada, destruição de patógenos, redução da umidade, remoção de sólidos voláteis e produção de uma substância que possa ser utilizada na agricultura sem restrições.
Uma vez transformado em “composto”, o termo lodo de esgoto ou biossólido não é mais aplicável, visto que o produto obtido difere da matéria-prima.
As propriedades do “composto” facilitam a estocagem, a embalagem e a comercialização. Doravante não existem restrições quanto à cultura, os riscos são mínimos e o novo produto pode ser difundido regularmente entre os técnicos especializados em fertilizantes. O passivo ambiental de outrora foi transformado em insumo agrícola com mercado e valor comercial. A compostagem é um processo biológico em que os microrganismos transformam a matéria orgânica, como estrume, folhas, papel e restos de comida, num material semelhante ao solo, a que se chama composto, e que pode ser utilizado como adubo.

A função dos fertilizantes orgânicos

A produtividade das culturas é consequência da ação conjunta de vários fatores: preparo da terra, variedade, adaptação climática, nutrição, espaçamento, disponibilidade de água, conservação de solo, mão-de-obra especializada, etc. A produtividade será máxima, quando todos os fatores estiverem à disposição da cultura. No entanto, a nutrição é o fator que mais contribui para o rendimento.
Há mais de um século sabe-se que as plantas necessitam de treze elementos essenciais: Nitrogênio (N), Fósforo (P), Potássio (K), Cálcio (Ca), Magnésio (Mg), Enxofre (S), Zinco (Zn), Boro (B), Cobre (Cu), Ferro (Fe), Manganês (Mn), Molibdênio (Mo), Cloro (Cl). Alguns deles são requisitados em menor e outros, em maior quantidade.
Nutrir uma planta, do ponto de vista agronômico, não significa simplesmente estimar suas exigências minerais e fornecer insumos concentrados. Embora os fertilizantes minerais (químicos) sejam mais difundidos, mais fáceis de adquirir, transportar, armazenar e distribuir mecanicamente no solo, não significa que sejam perfeitos. Seu principal atributo, a solubilidade, por três razões, nem sempre é vantajoso:
a) Doses excessivas de sais solúveis podem intoxicar as plantas, além de salinizar e acidificar os solos;
b) Os vegetais não absorvem os nutrientes apenas por estes ocorrerem em abundância. Existem peculiaridades na absorção de cada elemento, tais como: pH, presença de antagônicos, espécie iônica, teor nas células, temperatura, aeração, nível de CO2, etc. Isto significa que o nutriente deve estar no lugar certo, em quantidade adequada e no momento mais propício para ser aproveitado.
c) Em solos tropicais, as chuvas abundantes promovem a lixiviação de alguns nutrientes; enquanto que a acidez, associada à elevada capacidade de absorção, provoca a imobilização de outros; neste ambiente, os sais solúveis ficam mais suscetíveis às perdas.
Preconiza-se, então, promover, no solo, melhores condições físicas, químicas e biológicas para o aproveitamento dos nutrientes presentes e dos adicionados.
Os solos que correspondem a tais considerações foram formados sob ação da intempérie, comum nas regiões mais quentes e chuvosas. A água abundante lixiviou boa parte dos nutrientes e acidificou o meio. O calor e o tempo, associados à umidade, degradaram as argilas mais complexas e proporcionaram condições para a rápida decomposição da matéria orgânica. Os solos gerados nessas condições são mais pobres, profundos, ácidos, com baixo teor de matéria orgânica. São também conhecidos como latossolos. Além disso, a presença do homem agravou as transformações a medida que consumiu a fertilidade original sem uma reposição proporcional e degradou a estrutura ao introduzir um manejo mecanizado sem adequações. No entanto, esta situação não impediu o desenvolvimento da agricultura, mas, certamente, a tornou altamente dependente de práticas de conservação, que visam reconstruir a estrutura perdida. Caso contrário, os plantios sucessivos provocariam a completa exaustão e a baixa produtividade.
A fertilidade do solo, por sua vez, é resultado de uma combinação de fatores físicos, químicos e biológicos capazes de, em conjunto, propiciar melhores condições para obtenção de altos rendimentos. A matéria orgânica, ou húmus, interfere em todos esses fatores.
Práticas que visam conservar ou aumentar o teor de matéria orgânica do solo (por exemplo: combater a erosão, manter a cobertura vegetal, rotação de culturas, descanso, etc.) são as mais eficazes para proporcionar rendimentos elevados às culturas.
São as propriedades coloidais do húmus, principalmente aquelas relacionadas à agregação das partículas, que conferem estabilidade estrutural ao solo. Em consequência dos agregados, formam-se macro e microporos, responsáveis pela aeração e pela capacidade de retenção de água, respectivamente.
As propriedades químicas do húmus são representadas principalmente pelo fornecimento de nutrientes essenciais; pela interação com as argilas formando o complexo argilo-húmico, responsável pela majoração da capacidade de troca catiônica (predominância de cargas negativas em relação às positivas); pelo poder complexante sobre metais; pela ação sobre a disponibilidade do fósforo; pela ação estabilizante sobre variações ambientais no solo (modificações no pH, temperatura, teor de umidade, teor de gás carbônico, teor de oxigênio, etc.).
Não há como dissociar uma agricultura próspera, duradoura e sustentável de um solo rico em húmus.
As principais vias para atingir esta situação não são excludentes, ou seja, devem ser empregadas, preferencialmente, de maneira conjunta. São elas: as práticas conservacionistas (já mencionadas) e adubação orgânica.
Fertilizantes orgânicos, ricos em húmus, modificam as propriedades físicas do solo à medida que são aplicados, promovendo a formação de agregados. Como consequência, aumentam a porosidade, a aeração, a capacidade de retenção de água, etc. Paralelamente, aumenta-se a capacidade de troca catiônica (CTC) do meio, ou seja, os nutrientes catiônicos, Ca, Mg e K, anteriormente transportados juntamente com a água das chuvas, passam a permanecer disponíveis para as raízes, em quantidades maiores e por mais tempo. Alguns ácidos orgânicos, liberados pelo fertilizante diminuem a adsorção (imobilização) do P. Nessas condições, diminuem também as variações de pH, tornando mais raras as necessidades de calagem (aplicação de calcário no solo para elevar o pH). Além disso, os fertilizantes solúveis, aplicados nestas condições, serão mais bem aproveitados pelas plantas, e sua ação sobre a acidez e a salinização do solo diminuirá substancialmente.
Se fôssemos sintetizar as funções dos fertilizantes orgânicos, empregaríamos apenas uma expressão, muito usada no meio agrícola: “engordam o solo”.

Fatores que interferem na compostagem

Os principais fatores que governam o processo de compostagem são:
a) Microrganismos: A conversão da matéria orgânica bruta ao estado de matéria humificada é um processo microbiológico operado por bactérias, fungos e actinomicetes. Durante a compostagem há uma sucessão de predominâncias entre as espécies envolvidas.
b) Umidade: A presença de água é fundamental para o bom desenvolvimento do processo. Entretanto, a escassez ou o excesso de água pode desacelerar a compostagem.
c) Aeração: A compostagem conduzida em ambiente aeróbio, além de mais rápida, não produz odores putrefatos nem proliferação de moscas.
d) Temperatura: O metabolismo exotérmico dos microrganismos, durante a fermentação aeróbia, produz um rápido aquecimento da massa. Cada grupo é especializado e desenvolve-se numa faixa de temperatura ótima. Promover condições para o estabelecimento da temperatura ótima para os microrganismos é fundamental.
e) Relação Carbono / Nitrogênio (C/N): Os microrganismos absorvem os elementos carbono e nitrogênio numa proporção ideal. O carbono é a fonte de energia para que o nitrogênio seja assimilado na estrutura.
f) Preparo prévio da matéria-prima: A granulometria é muito importante uma vez que interfere diretamente na aeração da massa original. Partículas maiores promovem melhor aeração, mas o tamanho excessivo apresenta menor exposição à decomposição e o processo será mais demorado.
g) Dimensões e formas das pilhas: Quanto ao comprimento, este pode variar em função da quantidade de materiais, do tamanho do pátio e do método de aeração. Já a altura da pilha depende da largura da base. Pilhas muito altas submetem as camadas inferiores aos efeitos da compactação. Pilhas baixas perdem calor mais facilmente ou nem se aquecem o suficiente para destruir os patogênicos. O ideal é que as pilhas apresentem seção triangular, com inclinação em torno de 40 a 60 graus, com largura entre 2,5 e 3,5 metros e altura entre 1,5 e 1,8 metros.

Descrição das transformações

Composto em fase termófila
Logo após a formação da pilha inicial, começa a proliferação dos microrganismos. Inicialmente, na fase mesófila, predominam bactérias e fungos mesófilos produtores de ácidos; com a elevação da temperatura, aproximando-se da fase termófila, a população predominante será de actinomicetes, bactérias e fungos termófilos. O aumento da temperatura nesta fase (podendo superar 70°C) é influenciado pela maior disponibilidade de oxigênio, promovida pelo revolvimento da pilha inicial. Passada a fase termófila, o composto vai perdendo calor e retomando a fase mesófila, porém, com outra composição química e aspecto mais escurecido. Esta tomando a segunda fase mesófila, mais longa, é acompanhada pela diminuição da relação C/N abaixo de 20. Finalmente, com a fase criófila, em que a temperatura diminui, podem ser encontrados protozoários, nematóides, formigas, miriápodes, vermes e insetos

Substâncias geradas durante a compostagem

No processo de compostagem, que se completa após a formação do húmus, três fases distintas podem ser reconhecidas:
a) rápida decomposição com a daniela de certos constituintes pelos microrganismos.
b) síntese de novas substâncias criadas pelos microrganismos.
c) formação de complexos resistentes em razão dos processos de condensação e polimerização.
Resíduos vegetais e animais não são igualmente atacados, nem se decompõem inteiramente de uma só vez; seus diversos constituintes são decompostos em diferentes estágios, com diferentes intensidades e por diferentes populações de microrganismos.
Os açúcares, os amidos e as proteínas solúveis são decompostos em primeiro lugar, seguindo-se de algumas hemiceluloses e demais proteínas. Celulose, certas hemiceluloses, óleos, gorduras, resinas e outros constituintes das plantas são decompostos mais demoradamente.
As ligninas, certas graxas e taninos são os materiais considerados mais resistentes à decomposição.
Enquanto houver decomposição aeróbia, o carbono será liberado como gás carbônico, entretanto, se o processo tornar-se anaeróbio, eliminar-se-ão, além do CO2, metano, álcool e ácidos orgânicos.
As proteínas, por decomposição, são primeiramente hidrolisadas por enzimas proteolíticas produzidas pelos microrganismos, gerando polipeptídios, aminoácidos e outros derivados nitrogenados; o nitrogênio orgânico é convertido à forma amoniacal.
Ao final do processo obtém-se o húmus, ou seja, uma substância escura, uniforme, amorfa, rica em partículas coloidais, proporcionando a este material, propriedades físicas, químicas e físico-químicas diferentes da matéria-prima original.
O tempo médio para que a pilha original se decomponha até a bioestabilização é de 30 a 60 dias. Para a completa humificação, serão necessários mais 30 a 60 dias. Desta forma, para completar-se o processo na pilha, serão necessários aproximadamente 90 dias.
Para aplicação no solo, a utilização do material bioestabilizado é justificada por três motivos:
a) Ao passar pela fase termófila haverá a destruição de ovos, larvas e microrganismos patogênicos que, porventura puderem existir na massa inicial.
b) Ao apresentar relação C / N abaixo de 20 ainda haverá atividade biológica, mas não haverá o “sequestro” do nitrogênio do solo para completar o processo.
c) A temperatura não é alta o suficiente para causar danos às raízes ou às sementes.
A velocidade e o grau de decomposição dos resíduos orgânicos pode ser medido de várias maneiras:
a) Quantidade de CO2 desprendido
b) Diminuição da relação C/N
c) Ciclo da temperatura
d) Elevação e estabilização do pH

Sistemas de compostagem

Compostor artesanal
Sendo um processo biológico, as transformações ocorrem de acordo com os princípios já mencionados. No entanto, os métodos variam de sistemas particularmente artesanais, até sistemas complexos, onde os fatores interferentes são monitorados e controlados com relativa precisão.
Os sistemas de compostagem, segundo Fernandes (2000), agrupam-se em três categorias:
a) Sistemas de leiras revolvidas (Windrow)
A mistura de resíduos é disposta em leiras, sendo a aeração fornecida pelo revolvimento dos materiais e pela convecção do ar na massa do composto.
Revolvedora de leira em um pátio de compostagem profissional.
Leiras maturando em um “In-vessel composting” sistema.
Na agricultura, compostagem em leiras (também conhecido como Sistema Windrow) é a produção de composto ao empilhar matéria orgânica ou restos biodegradáveis, como esterco e restos culturais, em pilhas alongadas conhecidas como (leiras). Na produção de composto em grande escala, este método é considerado uma das opções mais eficientes. Geralmente, as leiras são revolvidas/reviradas para manter as características físicas e químicas ótimas, como porosidade, teor de oxigênio, teor de umidade, distribuição de calor, etc. O processo de compostagem pode ser controlado através do monitoramento e ajuste dos seguintes parâmetros: razão/proporção inicial de carbono e nitrogênio, proporção de material volumoso adicionado para garantir porosidade, tamanho e umidade da leira e frequência de revolvimento.
A temperatura da leira precisa ser monitorada e registrada constantemente, pois assim pode-se determinar a frequência ideal de revolvimento, produzindo composto em menos tempo possível. A coleta manual de temperatura pode não ser feita eficientemente e pode expor o funcionário a patógenos. Ao coletar as informações automaticamente, através de um sensor wireless, serão transmitidas para um computador onde todas a temperatura esta sendo constantemente armazenada, melhorando a eficiência e reduzindo o tempo necessário para completar a compostagem.1
a.1) Equipamentos
As revolvedoras de leira são máquinas (implementos ou autopropelida) que atravessam as leiras de compostagem com um rotor. A largura pode variar, assim como a altura. Existem máquinas de todo tamanho. As revolvedoras passam por cima da leira a uma velocidade baixa, com direção e sentido constante. À medida que a revolvedora atravessa a leira, o rotor passa por dentro da leira, revolvendo-a. Desta forma, ar fresco (oxigênio) é adicionado ao sistema, enquanto o ar que estava contido entre as partículas sólidas do sistema (rico em dióxido de carbono) é liberado na atmosfera. Sendo assim, os microrganismos aeróbios poderão fazer a troca gasosa, e, portanto, promovendo a decomposição em sua forma mais eficiente.
Amostras de emissão de gases em composto feitos pela Environmental Management Consulting levantaram questões sobre a emissão de gás metano (conhecido popularmente como “gás do pântano” ou “biogás”) no processo de compostagem. Uma mostra mostrou que até 26% do carbono residual, pode ser emitido na forma de metano. Contudo, sabe-se que o metano se forma em condições anaeróbias. Portanto o metano só, e somente só, se formará durante o processo de compostagem, se a leira não sofrer revolvimento eficaz, mantendo os organismos em sistema anaeróbio.2
a2) Utilização
Recomenda-se utilizar as revolvedoras em superfícies planas e rígidas. Atualmente existem diversos tipos de tração para as revolvedoras. As revolvedoras modernas podem vir de fábrica com dois tipos de tração: rodados ou por esteira (conhecida também por “lagarta mecânica”). Ao optar pela tração por esteira, a revolvedora poderá trabalhar com mais facilidade em terrenos desagregados e/ou encharcados, situações que rodados geralmente tem menos tração.3
a3) Aplicações específicas
Ao redor do mundo, destilarias cujos produtos são derivados do melaço da cana geram grande quantidade de efluentes e resíduos sólidos. Para cada litro de álcool produz-se por volta de 8 litros de efluentes. Os efluentes tem DBO (Demanda Bioquímica por Oxigênio) de 60.000 PPM e 1,50,000 de DCO (Demanda Química por Oxigênio), ou até mais. Sendo assim, este efluente precisa ser tratado, e a compostagem é conhecida por ser o método mais vantajoso economicamente.
Usinas de açúcar geram um resíduo chamado de “torta de filtro” durante o processo feito nas destilarias anexas às usinas. Se forem apenas destilarias autônomas, não há produção de torta. Tal torta é constituída por 30% de fibras (carbono) e grande quantidade de água. Frequentemente o destino da torna, no Brasil, é diretamente a lavoura. Contudo, a compostagem enriquece as propriedades nutricionais da torta (ou de qualquer outro material), transformando-a em um rico fertilizante e condicionador de solo.
Os equipamentos utilizados para revolver leiras, vão desde máquinas extremamente automatizadas e especializadas, até simplesmente retroescavadeiras. As máquinas especializadas são muito mais eficientes (tempo, hora/máquina, combustível, peças, durabilidade, etc.), naturalmente. Contudo, existem muitas pessoas e pátios de compostagem que utilizam retroescavadeiras para revolver as pilhas e leiras de compostagem.
b) Sistema de leiras estáticas aeradas (Static pile)
A mistura é colocada sobre tubulação perfurada que injeta ou aspira o ar na massa do composto. Neste caso não há revolvimento mecânico das leiras.
c) Sistemas fechados ou reatores biológicos (In-vessel)
Os materiais são colocados dentro de sistemas fechados, que permitem o controle de todos os parâmetros do processo de compostagem.
Kiehl (1985) classificou os sistemas de compostagem também quanto ao tempo. Neste caso os processos são lentos ou acelerados.
Consideram-se lentos, aqueles os quais a matéria prima é disposta em montes nos pátios de compostagem após sofrer separação de materiais não decomponíveis, como é o caso dos resíduos domiciliares, recebendo revolvimentos periódicos para arejar e ativar a fermentação. Os processos acelerados são os que proporcionam tratamento especial à matéria-prima, melhorando as condições para fermentação, principalmente o arejamento e o aquecimento. A compostagem em pátio, com injeção de ar nas pilhas de composto ou exaustão de seus gases, é um exemplo de processo acelerado.

Legislação do Brasil

O fertilizante composto, quando considerado um produto comercializável, estará sujeito à legislação federal brasileira, sob a jurisdição do Ministério da Agricultura, que regulamenta o estabelecimento produtor, as matérias primas e o insumo gerado.
O Decreto 86.955 de 18 de fevereiro de 1982 dispõe sobre a inspeção e a fiscalização da produção e do comércio de fertilizantes, corretivos, inoculantes, estimulantes ou biofertilizantes destinados à agricultura. Destacam-se, em seu conteúdo, alguns comentários sobre os fertilizantes orgânicos:
  • Capítulo II, parágrafo 4: instrui-se as pessoas físicas e jurídicas que produzem e comercializam fertilizantes, a promover o registro de estabelecimento no Ministério da Agricultura.
  • Parágrafo 10, artigo 4: define-se o controle de qualidade por meio de laboratório próprio ou de terceiros, desde que devidamente registrado no Ministério da Agricultura. Neste caso, apresentar-se-á, para efeito de registro, o contrato de prestação de serviços entre o estabelecimento produtor e o laboratório de terceiros.
  • Capítulo 7: faz-se referência à assistência técnica à produção. É exigida a contratação de profissional habilitado e devidamente identificado junto ao Ministério da Agricultura, para assumir a função de Responsável Técnico pela produção.
Na portaria 84, de 29 de março de 1982, que dispõe sobre exigências, critérios e procedimentos a serem utilizados pela inspeção e fiscalização da produção e do comércio de fertilizantes, corretivos, inoculantes, estimulantes ou biofertilizantes, destinados à agricultura; são relevantes para a categoria de produtor de fertilizante composto, os seguintes aspectos: O capítulo 1, artigo 1, classifica os produtores em categorias e atividades. No caso da compostagem, cadastra-se o estabelecimento na categoria II, atividade D, que significa “produtor de fertilizante composto” No capítulo 3, especificam-se as instalações e equipamentos de produção necessários ao empreendimento: unidade de armazenamento da matéria prima; equipamento de movimentação da matéria-prima; unidade industrial; unidade embaladora; unidade de armazenamento do produto acabado.
Ainda no capítulo 3, os artigos 7, 8 e 9 orientam para a necessidade de registro do produto e das matérias-primas. Este registro é feito em formulário próprio, onde especificam-se os integrantes do composto. Após a aprovação da solicitação de registro, o composto receberá um número que será reproduzido nas embalagens e nas notas fiscais.
A portaria número 1 de 4 de março de 1983, que dispõe sobre as especificações, garantias, tolerâncias e procedimentos para coleta de amostras de produtos, e os modelos oficiais a serem utilizados pela inspeção e fiscalização da produção e do comércio de fertilizantes, corretivos, inoculantes, estimulantes ou biofertilizantes, destinados à agricultura, apresenta alguns aspectos que merecem comentário; No capítulo 1, encontram-se as referências quanto à natureza física dos fertilizantes, sendo farelado quando 100 % das partículas passam através de peneira ABNT 4 (4,8 mm) e 80 %, através de peneira ABNT 7 (2,8 mm); farelado grosso quando 100 % das partículas passam através de peneira de 38 mm e 98 % através de peneira 25 mm.
No capítulo 2, são dadas as instruções de como coletar amostras dos fertilizantes orgânicos. No caso do fertilizante composto, em cada lote de 100 t coletam-se porções em no mínimo 20 pontos de profundidades diferentes, até obter-se entre 50 e 100 kg do produto. Homogeneíza-se e por meio de quarteamentos obtém-se amostras finais de 1,5 kg.
Desde 8 de setembro de 2005, as especificações da produção de fertilizantes orgânicos submetem-se aos dispositivos da Instrução Normativa 23[1] do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Referências

Ver também

Commons
O Commons possui multimídias sobre Compostagem

Bibliografia

  • FERNANDES, P.; Estabilização e Higienização de Biossólidos. In: BETTIOL. W e CAMARGO, O.A. Impacto Ambiental do Uso Agrícola do Lodo de Esgoto.Jaguariúna, SP. Embrapa Meio Ambiente, 2000. 312p.
  • KIEHL, E.J.; Fertilizantes Orgânicos. Piracicaba. Editora Ceres, 1985. 492
  • FERREIRA, C.J.; Avaliação do Programa de Compostagem Doméstica do Município de Oeiras e Contributos para uma Central de Compostagem de Resíduos Verdes. Tese de Licenciatura em Ciências do Ambiente, ramo Qualidade do Ambiente, Universidade de Évora, 2005. 247p.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Adubação verde


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Cultivo de soja
Adubação verde ou plantio verde é o nome dado à prática de adicionar leguminosas na superfície do solo com intenção de enriquecê-lo nutricionalmente como por exemplo com N (nitrogênio). A decomposição destes restos orgânicos favorece o aumento da produção de biomassa vegetal [5] [6].
Foram necessários mais de dois mil anos para que os cientistas descobrissem o segredo
da refertilização pela adubação verde através das leguminosas [7].

Histórico

Nos tempos da pré-história não existia agricultura, o homem não plantava, ele morava onde encontrava alimento, era nômade. Vivia da caça. Depois ele aprendeu a plantar para sua própria subsistência, dando início ao cultivo de terras ricas em matéria orgânica. Para Kiehl (1985) a matéria orgânica tem sido considerada à milênios como o principal fator de fertilidade do solo.
Na antiga China, durante a dinastia de Chou (1.134-247 a.C), os adubos verdes já eram utilizados como fertilizantes. Em seguida os chineses, os gregos e os romanos empregaram largamente as leguminosas (plantas da família Fabaceae, como soja ou feijão) para aumentar a fertilidade dos solos [7] [9]. Kiehl (1985)afirma que, Cartão, Columela, Plínio, Varrão, Virgílio e Teofrastus, fizeram referências ao emprego das leguminosas na adubação verde, mencionando que a preferência pelas mesmas originou-se vários séculos a.C., contudo, foi somente após Lavoisier ter descoberto a existência do nitrogênio no ar atmosférico e Pasteur ter desvendado o mundo dos microorganismos, é que Hellriegel & Wilfarth comprovaram, nas nodosidades das raízes leguminosas, a presença de bactérias capazes de fixar o N2. Segundo Kiehl (1959), Apud Myiazaka et al (1984), coube ainda a Beijerink isolar e cultivar esses microorganismos, demonstrando cientificamente, há 70 anos passados, o que era conhecido empiricamente há mais de dois milênios.

Nile River and delta from orbit
Em “Fertilizantes Orgânicos”, Kiehl (1985, p. 01) afirma que as terras mais disputadas pelos agricultores no Egito antigo eram aquelas que se encontravam perto do Rio Nilo, pois em certas épocas do ano o Rio transbordava, carregando grandes quantidades de matéria orgânica para as terras adjacentes, e quando as águas baixavam estes agregados orgânicos ajudavam a fertilizar o solo.
Em condições naturais, o solo possui cobertura de vegetais que o protegem contra a ação da erosão devido à presença das raízes das árvores, dos arbustos e/ou das gramíneas, que também permitem uma alta capacidade de infiltrar água, beneficiando diretamente os lençóis freáticos. Esses sistemas de raízes ainda mantêm boa parte dos nutrientes quando a água da chuva passa pelo seu interior [14].
O aumento da população e da demanda por alimentos, principalmente após a Revolução Industrial, levou à ocupação de grandes extensões de terras pelas monoculturas, trazendo consigo uma cultura de manejo inadequada e insustentável para o solo tais como a utilização do fogo para eliminar as espécies nativas e a drenagem excessiva do solo entre outros, modificando drasticamente as propriedades químicas, físicas e biológicas do mesmo, ocasionando no seu empobrecimento ou mesmo na sua total infertilidade.
Desta forma, tornou-se necessário o manejo da matéria orgânica por meio da utilização de rotações de cultura, adubação verde e o plantio direto, pois além de favorecerem o aumento de biomassa vegetal promovem a ciclagem dos nutrientes que são essenciais para a manutenção das plantas [14] [7].

A utilização da adubação verde

Para a prática da adubação verde, as leguminosas têm ganhado preferência entre os agricultores e uma das principais razões é a fixação de N2 atmosférico pela ação nitrificante das bactérias, especialmente do gênero Rhizobium, que associam-se com as raízes destas plantas, fornecendo-lhe o nitrogênio e recebendo o carboidrato em troca.
As leguminosas também produzem grande quantidade de biomassa e suas raízes são pivotantes (sistema de raízes formado por uma raiz central que penetra verticalmente no solo, onde da raiz central partem raízes laterais que também são ramificadas), favorecendo a captura de nutrientes presentes em camadas profundas do solo. Após o processo de decomposição da biomassa destas leguminosas, os nutrientes serão disponibilizados para o desenvolvimento das plantas de agricultura [6].

Cultura de leguminosas - a base da adubação verde

Para o plantio de leguminosas é importante que as plantas sejam mais resistentes às pragas e que produzam grande quantidade de massa seca, com sementes que tenham uma boa germinação e que tenham um crescimento rápido. Para o sucesso do plantio, o solo deve ser bem arado e adubado antes das sementes serem introduzidas para germinação.
O corte das plantas semeadas pode ser de caráter tardio ou precoce mas, se a planta for cortada muito jovem, o processo de decomposição será mais rápido, uma vez que ela contém mais elementos minerais, diminuindo assim a sua massa vegetal, de grande importância para as plantas que serão diretamente beneficiadas com este acúmulo de partes orgânicas. Contudo, quando o corte da planta é feito tardiamente, a decomposição ocorre de forma mais lenta devido ela possuir mais lignina e celulose em sua composição, levando ao aumento da produção de massa massa vegetal, bem como ao aumento da quantidade de húmus [7][16].
Na adubação verde aplicamos várias leguminosas como: crotalárias (Crotalária juncea, Crotalária paulina, Crotalária espectabilis, Crotalária gratiana), mucuna preta (Mucuna aterrima), mucuna anã (Mucuna deeringiana), feijão-guandu (Cajanus cajan), feijão-de-porco (Canavalia ensiformis), feijão-de-corda (Vigna unguiculata), caupi (Vigna unguiculata), ervilhaca (Vicia sativa), soja titan (Glycine max), tremoço (Lupinus albus, Lupinus luteus, Lupinus angustifolius), labe-labe (Dolichos lablab), sesbânia (Sesbania aegyptiaca e Sesbânea aculeara), calôpogonio (Calopogonio muconoides), leucena (Leucaena spp) e centrosema (Centrosema pubescens)[7]. Contudo faz-se necessário que estudos tentem incorporar plantas de cultivo nativo, na tentativa de amenizar os impactos causados pelas leguminosas exóticas, para determinado tipo de solo [6] [7].

Adubação verde e a decomposição do húmus

A utilização da adubação verde otimiza o processo de formação do húmus. A formação do húmus ocorre conforme o material orgânico, animal e vegetal, no solo são decompostos por bactérias e fungos. Esses microorganismos utilizam-se de componentes desse material para formação de seus tecidos, outros são sublimados e outros são transformados em material biológico escuro, chamado de húmus, que se que se diferencia do material original por suas propriedades físico-químicas [6] [7] [9]. Para aumentar a retenção de água, bem como a humidade do solo pode-se aplicar a matéria orgânica (restos de vegetais) no solo como forma de cobertura [5] [8].

Adubação verde, retenção de água e fertilidade do solo

O uso da água pelos vegetais é muito elevado. A água é disponibilizada através de um ramificado sistema de raízes. Em seguida, ela transporta e dissolve os nutrientes no interior das plantas [6]. A matéria orgânica direta ou indiretamente pode aumentar a capacidade de armazenamento de água no solo. O húmus, por sua quantidade de matéria orgânica, ajuda o solo na retenção de água, bem como aumenta a capacidade de infiltração, melhorando as condições físicas como a granulometria, evitando que apareçam crostas impermeáveis no solo [7].Com o aumento da capacidade de infiltração de água no solo, pode-se evitar perdas por erosão e por evaporação. Solos argilosos, por exemplo, retêm mais água em sua composição e as raízes das plantas vão mais profundamente a essas camadas mais úmidas do solo formando um vegetal mais vigoroso e melhorando as colheitas [7].

Nutrientes e o Plantio Verde

Os nutrientes são muito importantes para o desenvolvimento dos vegetais, pois plantas que crescem em ambientes com déficit nutricional não se desenvolvem normalmente, e podem até deixar de se reproduzir. O plantio verde colabora para o enriquecimento nutricional dos solos, fornecendo mais nutrientes para as plantas que são cultivadas [9]. Os nutrientes, além de serem muito importantes para a manutenção do metabolismo das plantas, também atuam diretamente na produção de nucleotídeos, cadeias de aminoácidos e de proteínas que são essenciais para o crescimento das plantas.
A seguir, são citados os efeitos da adubação verde sobre o enriquecimento de solo com nutrientes essenciais ao desenvolvimento das plantas.

Nitrogênio (N)

O nitrogênio é tido como o nutriente que mais limita o crescimento de plantas nos trópicos, por isso é um dos principais alvos para o plantio verde [13]. As leguminosas têm um auxílio extra na captura de N, pois parte do N2 incorporado no tecido vegetal é fixado por meio de simbiose. As bactérias associam-se às raízes das leguminosas e atuam na fixação de nitrogênio atmosférico; em troca as leguminosas disponibilizam o carboidrato que os decompositores utilizam para o seu crescimento [6].
As leguminosas, também fazem a imobilização temporária de nitrogênio em sua biomassa [13]. Além delas, o uso de gramíneas tem sido indicado, pois elas reduzem a perda de nitrogênio, e ainda garantem maior proteção ao solo em virtude da baixa taxa de decomposição. Sabendo disto, um consórcio entre leguminosas e gramíneas é indicado para condições mais favoráveis à proteção do solo e nutrição das plantas [9] [13].

Carbono (C)

Basicamente há duas formas de carbono, a orgânica presente em seres vivos (biótica) e a inorgânica contido em rochas (abiótica). As plantas têm grande importância no ciclo do C (carbono) orgânico. Através da fotossíntese elas capturam luz e CO2 da atmosfera e produzem oxigênio e carboidratos, fazendo com que o C seja fixado em sua estrutura física. Quando as plantas morrem, o carbono fixado é incorporado ao solo pela deterioração da matéria orgânica. A matéria orgânica rica em carbono fertiliza o solo, o torna mais capaz de reter água e nutrientes para as plantas e melhora as características químicas, físicas e biológicas do solo [7].

Fosfato (P)

O fosfato tem uma grande importância para as plantas e outros seres vivos, isto porque é um dos dois constituintes do ATP (adenosina tri-fosfato) que é uma molécula que permite transferência de energia para o funcionamento do metabolismo. Nas plantas, há também fosfato no núcleo conhecido como fosfato nucléico, no citoplasma das células vegetais estão presentes os açúcares fosfatados e o fosfato inorgânico, este último apresenta função regulatória.
No que diz respeito à captação de fosfato, as leguminosas, mesmo quando cultivadas em baixa disponibilidade do nutriente, têm capacidade de absorvê-lo. Assim, a matéria orgânica destas plantas atua como doadora de prótons ao meio, favorecendo a solubilização do fosfato natural [16].

Plantas de Cobertura mais utilizadas

Plantas de cobertura é o nome dado para plantas usadas no plantio verde, isto é, que permaneceram no solo cooperando para fertilização. Testes científicos elaborados por Torres et al (2005) comprovaram a eficácia do sorgo, braquiária, milheto e crotalária no acúmulo de nitrogênio, os mesmos autores indicam que a maior taxa de liberação de nitrogênio ocorre 42 dias após a dessecação da cobertura.
Contudo, é importante ressaltar que estas espécies citadas acima são exóticas, isto significa que elas foram introduzidas no Brasil, e não fazem parte do grupo de espécies nativas. Espécies exóticas podem competir com as plantas nativas por espaço, polinizadores, nutrientes e outros, podendo, dessa forma, causar certo desequilíbrio nos ambientes em que são inseridas fugindo do controle e invadindo ecossistemas naturais.

Manejo de adubação verde em solo brasileiro

É importante ressaltar que no Brasil há uma grande variedade de solos e que cada um deles tem uma necessidade nutricional diferenciada, portanto a aplicação de qualquer método de fertilização necessita estudos prévios do solo em questão. Além disso, a cultura que seguirá após o adubo verde também tem relevância para definir o tipo de adubo verde usado e como a técnica de adubação será aplicada. Abaixo estão listados exemplos de trabalhos já feitos em diferentes regiões do Brasil:

Região Centro-Oeste (Cerrado)

Uma das limitações mais importantes sobre o emprego da adubação verde no cerrado é a época em que a cobertura será plantada, isto porque poderá causar prejuízo à cultura comercial. No entanto, o uso da técnica pode ser viabilizada com a semeadura da cobertura no final da estação chuvosa, em sucessão à cultura [12]. Outra forma seria aproveitando a existência de verânicos, quando provavelmente o solo está sendo preparado [02]. Algumas leguminosas têm ganho destaque e sido apontadas como promissoras para uso no cerrado: mucuna-preta (Mucuna aterrima), guandu (Cajanus cajan), crotalárias (Crotalaria juncea, ochroleuca, paulina e spectabilis), feijão-bravo-do-ceará (Canavalia brasiliensis), feijão-de-porco (C. ensiformis), estilosantes (Stylosanthes guianensis) [07] [09].

Região Norte

Os trabalhos de Erasmo (2004)[17], conduzidos no Gurupi (Tocantins) avaliaram durante 60 dias a interferência de adubos verde (Mucuna aterrima, Mucuna pruriens, Crotalaria ochroleuca, Crotalaria spectabilis, Canavalia ensiformis, Cajanus cajan, Pennisetum americanum e Sorghum bicolor,híbrido BR304) sobre plantas daninhas (Digitaria horizontalis, Hyptis lophanta e Amaranthus spinosus). Os resultados obtidos indicam que as espécies C. spectabilis, S. bicolor, C. ochroleuca, M. aterrima e M. pruriens reduziram significativamente o número e o peso da matéria seca das plantas daninhas avaliadas, enquanto P. americanum mostrou-se a menos eficiente.

Região Nordeste

O nordeste brasileiro é caracterizado por longos períodos de estiagem, assim, uma cobertura de solo eficiente colabora na redução de perda de água e na manutenção de uma temperatura de solo adequada às culturas [04]. Estudos realizados por Nascimento & Silva (2003) em Alagoinha-PB, em luvissolo degradado, mostraram que as leguminosas mais indicadas para região nordeste e este tipo de solo são o guandu (Cajanus cajan) e a leucena (Leucaena leucocephala).

Região Sul

Devido as suas características em termos de temperatura e umidade, como ocorrência de baixas temperaturas em uma estação do ano e regime pluviométrico bem distribuído, esta região permite o uso de técnicas de adubação verde com grande produção de carbono e taxas de decomposição que promovem o aumento gradativo de matéria orgânica no solo [03].

Região Sudeste

O trabalho de Espíndola et al (1997), aplicado no estado do Rio de Janeiro, em um planossolo, avaliou a influência dos adubos verdes sobre a produção de batata doce e fungos micorrízico-arbusculares. Esses fungos associam-se às raízes e as ajudam a absorver nutrientes de baixa mobilidade, dentre outros benefícios. A crotalária e a mucuna preta foram usadas como adubos verdes e mostraram promover um aumento na colonização da raiz pelos fungos. Além disso, a mucuna preta garantiu uma maior produção de batata doce pois forneceu mais N à cultura subsequente.

Vantagens gerais da adubação verde

A utilização da adubação verde é um manejo sustentavelmente viável para os agrossistemas, pois gera vantagens para os produtores, consumidores e, principalmente, para os ecossistemas que mantêm os ciclos dos nutrientes.
Podem ser apontadas como vantagens do plantio verde o aumento da camada vegetal que otimiza a infiltração de água no solo, diminuindo a ocorrência de erosões, e evaporação edáfica [11], isto é, a evaporação de água que está nos poros das camadas superficiais do solo e que, normalmente, é aproveitada pelos vegetais de raízes curtas, retornando rapidamente para o ciclo hidrológico devido à evaporação;
Um dos elementos aprisionados na camada do solo é a água, que o mantêm úmido por mais muito mais tempo, ocasionando em uma economia de gastos; A utilização de plantio verde, ao favorecer a umidade do solo, aumenta as trocas *catiônicas do mesmo, tornando certos íons (antes indisponíveis) acessíveis às bactérias, fungos e raízes de plantas;
Outra vantagem é o aumento do teor de matéria orgânica que favorece o desenvolvimento de bactérias fixadoras de nitrogênio, importantes para as plantas que, sozinhas não conseguem fazê-lo; A fixação do nitrogênio somado ao acúmulo do fósforo são fatores extremamente importantes para as plantas sintetizarem seus polímeros de aminoácidos, fundamentais na produção dos fotossintatos, crescimento e manutenção [11] [14];
A fixação do N também contribui para a diminuição da contaminação dos solos e das águas dos lençóis freáticos reduzindo ou evitando uso de fertilizantes;
A utilização da adubação verde aumenta as defesas do solo, diminuindo os gastos com fertilizantes;
Uma outra vantagem é que os raios ultravioleta não incidem diretamente sobre o solo, diminuindo a evaporação da água e erosão solar;
O aumento da massa vegetal, bem como dos organismos decompositores gera uma maior utilização dos gases presentes na atmosfera, promovendo a diminuição dos gases de efeito estufa;
  • Aumento da disponibilidade de íons como o Na+ (sódio), Ca2++ (cálcio) e o Mg (magnésio) no solo.

Referências

1 .↑ Aita, C.; Basso, C. J.; Ceretta, C. A.; Gonçalves, C. N & Ros, C. O. 2001. Plantas de cobertura de solo como fonte de nitrogênio ao milho. R. Bras. Ci. Solo, 25:157-165.
2 .↑ Amabile, R. F.; Fancelli, A. L.; Carvalho, A. M. 2000. Comportamento de Espécies de Adubos Verdes em Diferentes Épocas de Semeadura e Espaçamentos na Região dos Cerrados. Pesq. Agropec. Bras., Brasília, v.35, n.1, p. 47-54.
3 .↑ Bayer, C.; Amado, T. J. C.; Fernandes, S. V.; Mielniczuk, J. 1995. Teores de carbono e nitrogênio total em um solo podzólico vermelho-escuro submetido 9 anos a diferentes sistemas de manejo. In: Debarba, L; Amado, T. J. C. Desenvolvimento de Sistemas de Produção de Milho no Sul do Brasil com Características de Sustentabilidade. 1997. R. Bras. Ci. Solo, Viçosa, 21:473-480.
4 .↑ Bragagnolo, N.; Mielniczuck, J. Cobertura do solo por resíduos de oito sequências de culturas e seu relacionamento com a temperatura e umidade do solo, germinação e crescimento inicial do milho. 1990. In: Nascimento, J. T.; Silva, I. F. Avaliação quantitativa e qualitativa da fitomassa de leguminosas para uso como cobertura de solo. 2003.
5 .↑ Embrapa. Por: Liliane Castelões Gama: Uso de espécies vegetais como adubação verde. Disponível em: http://hotsites.sct.embrapa.br/diacampo/programacao/2009/uso-de-especies-vegetais-com-adubacao-verde. Acesso em 23 agosto 2010.
6 .↑ Favero, C.; Jucksch, I.; Costa, L. M.; Alvarenga, R. C.; Neves, J. C. L. 2000. Crescimento e Acúmulo de Nutrientes por Plantas Espontâneas e por Leguminosas Utilizadas para Adubação Verde. R. Bras. Ci. Solo, 24:171-177.
7. ↑ Kiehl, E. J. Fertilizantes orgânicos. São Paulo: Agronômica Ceres, 1985. 492p. In: Myiazaka, S.; Camargo, O. A. 1984. Adubação Orgânica, Adubação Verde e Rotação de Culturas no Estado de São Paulo. Campinas, Fundação Cargill. www.iac.sp.gov.br/ECS/Artigos/4 - Adubação orgânica, adubação verde e rotação de culturas .pdf.
8. ↑ Leite. L. F. C; Mendonça. E. S. 2004. Estoques totais de carbono orgânico e seus compartimentos em argissolo sob floresta e sob milho cultivado com adubação mineral e orgânica. Rev. Bras. Ciênc. Solo vol. 27 no. 5 Viçosa.
9. ↑ Myiazaka, S.; Camargo, O. A. 1984. Adubação Orgânica, Adubação Verde e Rotação de Culturas no Estado de São Paulo. Campinas, Fundação Cargill. www.iac.sp.gov.br/ECS/Artigos/4 - Adubação orgânica, adubação verde e rotação de culturas .pdf.
10. ↑ Nascimento, J. T.; Silva, I. F. 2004. Avaliação quantitativa e qualitativa da fitomassa de leguminosas para uso como cobertura de solo. Cienc. Rural vol. 34, pp. 947–949.
11. ↑ Oliveira, M. W.; Trivelin, P. C. O.; Penatti, C. P.; Piccolo, M. C. 1999. Decomposição e Liberação de Nutrientes da Palhada de Cana-de-Açúcar em Campo. Pesq. Agropec. Bras., Brasília, v.34, n.12, p. 2359-2362.
12. ↑ Pereira, J.; Burle, M. L.; Resck, D. V. S. 1992. Adubos verdes e sua utilização no cerrado. In: Amabile, R.F; Fancelli, A.L; Carvalho, A. M. 2000. Comportamento de Espécies de Adubos Verdes em Diferentes Épocas de Semeadura e Espaçamentos na Região dos Cerrados. Pesq. Agropec. Bras., Brasília, v.35, n.1, p. 47-54
13. ↑ Perin, A.; Santos, R. H. S.; Urquiaga.; Guerra, J. G. M.; Cecon, P. R. 2004. Produção de Fitomassa, Acúmulo de Nitrogênio por Adubos Verdes em Cultivo Isolado e Consorciado. Pesq. Agropec. Bras., Brasília, v.39, n.1, p. 35-40
14. ↑ Tauk-Tornisielo, S. M. Análise ambiental: estratégias e ações. São Paulo: T.A. Queiroz, 1995. 381 p.
15. ↑ Torres, J. L. R.; Pereira, M. G.; Andrioli, I.; Polidoro, J. C.; Fabian, A. J. 2005. Decomposição e Liberação de Nitrogênio de Resíduos Culturais de Plantas de Cobertura em um Solo de Cerrado. R. Bras. Ci. Solo, 29:609-618.
16. Nogueira, F. D.; Paula, M. B.; Guimarães, P. T. G.; Tanaka, T. 1992. Adubação verde, fosfato natural e gesso para a cultura da mandioca em latossolo roxo textura argilosa. Pesq. Agropec. Bras. 27(3): 357-372.
17.↑ Erasmo, E.A.L.2, Azevedo, W.R.3, Sarmento, R.A.4, Cunha, A.M.5 e Garcia, S.L.R. Potencial de espécies utilizadas como adubo verde no manejo integrado de plantas daninhas. Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 22, n. 3, p. 337-342, 2004.

Ver também

Ligações externas

sábado, 17 de agosto de 2013

MANDALLA - Agricultura Comunitária

Agricultura Comunitária

Artigos e práticas de agricultura comunitária e familiar

quinta-feira, agosto 24, 2006

Projeto Mandalla


Desenvolvido para viabilizar a produção de alimentos de maneira sustentável na região do semi-árido nordestino, o sistema Mandalla não só vem cumprindo o propósito de garantir o sustento das famílias dos pequenos produtores, como ganha adeptos em outras regiões do país, e está presente também em Mato Grosso do Sul. Em Campo Grande, uma universidade pesquisa e busca difundir a técnica. Em municípios do interior, a tecnologia da Mandalla está à disposição dos agricultores e já começa a beneficiar pequenas comunidades.



Imitando o Universo


Mandala, palavra de origem indiana, é um desenho composto por figuras geométricas concêntricas. Do ponto de vista religioso, é uma representação do ser humano e do universo. O sistema Mandalla reproduz a estrutura do Sistema Solar.
No centro (localização equivalente à do Sol, fonte de vida e energia), um reservatório de água com uma planta circular, em forma de funil, cuja capacidade de armazenamento tem que ser proporcional aos diâmetros dos anéis formados à sua volta. O tanque também serve para a criação de peixes, patos e marrecos, que enriquecem organicamente a água do reservatório.
Os primeiros três círculos internos equivalem às órbitas dos planetas Mercúrio, Vênus e Terra, e são denominados Círculos de Melhoria da Qualidade de Vida Ambiental.
Destinam-se ao cultivo de hortaliças e plantas medicinais, atendendo às necessidades de subsistência da família. No primeiro círculo também são criados pequenos animais, como galinhas, cabras, carneiros ou até vacas, cujo esterco aduba o solo. Os cinco anéis seguintes equivalem às órbitas de Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, formando os Círculos da Produtividade Econômica. Esses se destinam a culturas complementares diversas, como milho, feijão verde, abóbora e frutíferas, cuja produção em maior escala permite o excedente para comercialização, gerando renda para o agricultor. O último anel da Mandalla é denominado Círculo do Equilíbrio Ambiental. Representa a órbita de Plutão e destina-se à proteção do sistema, com cercas vivas e quebra-ventos, como forma de melhorar a produtividade e prover parte da alimentação animal, além da oferta dos nutrientes necessários à recuperação do solo.


Mecânica do sistema



Sobre o reservatório de água, ergue-se uma estrutura similar à de uma pirâmide, com seis hastes que vão apoiar as linhas de mangueiras plásticas utilizadas para a irrigação do sistema. Uma das hastes sustenta uma lâmpada, que atrai insetos à noite, servindo para afastá-los das plantas, fazê-los cair na água e alimentar os peixes e patos. Ao longo das linhas mestras que partem das estrutura em forma de "pirâmide", estão distribuídos gotejadores feitos com garrafas pet. O restante da área é irrigado por círculos de mangueiras que controlam microaspersores, que podem ser feitos com os tubos plásticos de cotonetes de ouvido. A água vem do reservatório, de onde é puxada por uma bomba. De acordo com o criador do sistema, o gasto de água é 20% menor do que o de um sistema convencional de irrigação.



Para uma Mandalla grande, é necessário dispor de uma área com 2,5 mil metros quadrados (50m X 50m), cujo custo de instalação fica em torno dos R$ 3 mil. Mas também são viáveis estruturas menores, em que o custo pode ficar entre R$ 600 e R$ 1,2 mil (incluindo sementes e manutenção de animais). Experiências em desenvolvimento na região Nordeste mostram que a renda de R$ 1,7 mil pode ser alcançada pelo agricultor com uma única Mandalla. Em áreas de dois hectares, e com até quatros Mandallas, a renda pode chegar até a R$ 5 mil ao mês, graças à redução de custos.



Universidade



Em Campo Grande, no campo experimental da Uniderp (Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal), foi instalada uma Mandalla. A engenheira agrônoma Denise Pedrinho, professora da Uniderp, explica que esse é um sistema orgânico de rotação de culturas com valor agregado na produção. "A Mandalla proporciona, em um pequeno espaço, uma produção integrada", afirma. A primeira Mandalla do estado foi instalada em Rio Brilhante, com o incentivo da prefeitura local, e construída no Sindicato Rural do município. Segundo a professora Denise, muitas pessoas ficaram interessadas, porém o método ainda não estimulou outros produtores rurais a implantarem o sistema em suas propriedades. "Muitos produtores nos procuram para saber mais sobre a Mandalla, mas sabemos que existem apenas oito em todo o estado", conta. Denise lembra ainda que existem projetos para implantar o sistema em pequenas propriedades e assentamentos. "O custo é muito baixo, além de oferecer uma diversificação muito grande ao produtor rural", explica.


A professora Denise também alerta para a importância da escolha do local. A água que vai abastecer o reservatório pode ser proveniente de açudes ou córregos, mas antes de montar a Mandalla, o produtor precisa ter um lugar de fácil acesso para que a água vá até o tanque. "A Mandalla não pode ser construída em um lugar alto, por exemplo, pois a chegada da água será mais complicada", alerta, lembrando que a facilidade do abastecimento de água é determinante para a viabilidade econômica do sistema. Associação de Moradores Em Três Lagoas, na divisa de Mato Grosso do Sul com São Paulo, a prefeitura está incentivando a implantação do sistema Mandalla.


No ano passado, uma unidade demonstrativa foi instalada na Exposição Agropecuária do município, despertando curiosidade e interesse dos produtores. Depois, em terreno da prefeitura junto ao Departamento de Serviços Urbanos, foi instalada uma Mandalla maior, cuja produção já serviu para abastecer a cozinha de creches, escolas e programas sociais do município. Agora, a Semap (Secretaria Municipal de Agronegócios e Pecuária) está instalando uma Mandalla do no Bairro de JK, a primeira das três que pretende implantar ainda este ano. O espaço utilizado é um terreno da Associação de Moradores, ao lado do centro comunitário do bairro. A Mandalla vai ocupar uma área de 25m X 25m e está sendo construída com a colaboração da comunidade. O plantio, bem como os critérios de distribuição da colheita, estarão a cargo da Associação de Moradores.



Agência Mandalla - DHSA


A aplicação e difusão do sistema Mandalla é realizada pela Agência Mandalla DHSA (Desenvolvimento Holístico e Sistêmico Ambiental), uma Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) criada por Willy Pessoa e por um grupo de jovens universitários em João Pessoa (PB), em 2002, para assegurar o desenvolvimento harmonioso das comunidades e seus habitantes, baseado numa agricultura sustentável e familiar, começando no campo, em pequenas propriedades, e alcançando as cidades, os estados e o país inteiro, assim como uma pedra que, atirada ao lago, forma círculos concêntricos, num movimento crescente e equilibrado. Para alcançar os níveis de sustentabilidade propostos, a Agência Mandalla DHSA fundamenta-se nos princípios da Permacultura. No centro da atividade do permacultor está o planejamento consciente que torna possível, entre outras coisas, a utilização da terra e da água sem desperdício ou poluição, a restauração de paisagens degradadas e o consumo mínimo de energia. Este processo deve ser dinâmico, contínuo e orientado para a aplicação de padrões naturais de crescimento e regeneração, em sistemas perenes, abundantes e auto-reguladores.


A Permacultura nasceu amparada por uma ética fundadora de ações comuns para o bem do sistema Terra. O primeiro princípio é o do cuidado com a Mãe-Terra para garantir a manutenção e a multiplicação dos sistemas vivos. Depois, o cuidado com as pessoas para a promoção da autoconfiança e da responsabilidade comunitária. E por fim, aprender a governar as próprias necessidades, impor limites ao consumo e repartir o excedente para facilitar o acesso de todos aos recursos necessários à sobrevivência, preservando-os para as gerações futuras. (Fredericky Labad, gestor de Comunicação da Agência Mandalla DHSA)
Parceria Multinacional


Desde 2004, a Bayer CropScience é parceira do Projeto Mandalla, que já beneficiou mais de 1.200 pequenos agricultores, em dez assentamentos rurais da Paraíba, viabilizando a produção de alimentos para o sustento familiar. O projeto, além de garantir a melhoria da qualidade de vida das pessoas que vivem no meio rural, contribui para o resgate de aspectos sociais, como a reinserção do homem na sociedade por meio do trabalho. Em 2005, a Bayer CropScience ampliou sua atuação no projeto e, de três assentamentos rurais em 2004, passou para dez: em Acauã, no município de Aparecida; Dona Helena e Massangana II, na cidade de Cruz do Espírito Santo; Santa Helena e Comunidade Cristã, no município de Sapé; Centro de Reabilitação de Dependentes Químicos na cidade de Vieirópolis; Santo Antônio I e Santo Antônio II, no município de Cajazeiras; Engenho Velho, zona rural de João Pessoa; e Tibiri. Todos os assentamentos estão localizados de regiões carentes do semi-árido paraibano.


Também no ano passado, a empresa viabilizou a criação do Unicenter Mandalla - Centro Nacional de Difusão de Tecnologias Sociais Mandalla, em Cuité, interior da Paraíba, a cerca de 200 quilômetros de João Pessoa. Ocupando uma área de cinco hectares, o Centro desenvolverá um modelo multiplicador de ações para a difusão de informações, tecnologias simples, de fácil aplicação e baixo custo, mas, ao mesmo tempo, de elevado alcance social. Além dos recursos financeiros, a Bayer CropScience tem contribuído com técnica, apoio logístico e bolsas de um salário mínimo durante os seis primeiros meses, tempo que o agricultor necessita para colher sua primeira safra familiar. A empresa também apoiou a formação da Biblioteca do Centro Cultural de Acauã, fornecendo computadores e livros de conhecimentos gerais, provenientes de doação de funcionários. O trabalho entre a Bayer CropScience e a Agência Mandalla conquistou o Prêmio Parcerias - Empresas e ONGs para o Desenvolvimento Solidário do Nordeste, uma iniciativa da Aliança Interage e do Instituto Ação Empresarial pela Cidadania. O prêmio busca incentivar e dar visibilidade a parcerias entre empresas e ONGs que fortalecem ações solidárias e sustentáveis no Nordeste brasileiro.

por Fernanda Barros e Vanda Moraes
Revista Lida

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sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Rutilismo


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Cabelo ruivo)
Ir para: navegação, pesquisa
Mulher ruiva.
Homem ruivo.
Rutilismo é uma característica genética responsável pela ocorrências de cabelos ruivos, ou seja, pelos e/ou cabelos de coloração vermelha ou avermelhada. A presença de cabelos ruivos ocorre em aproximadamente 1–2% da população humana.1 2 Ocorre mais frequentemente (2–6%) em pessoas cujos ancestrais são oriundos do norte ou oeste europeu e menos frequentemente em outras populações.
Em 1997 descobriu-se a bioquímica dos cabelos ruivos, demonstrando-se que estes se associam ao receptor da melanocortina-1 e componentes de ferro. Acredita-se que o gene recessivo associado teria uma antiguidade. Todos os ruivos apresentam variantes na região MC1R do cromossomo 16.

Fatos

  • O lugar do mundo com o maior número percentual de ruivos é o Reino Unido, especialmente a Escócia. Calcula-se que de 10 a 13% da população escocesa tenha cabelos avermelhados.
  • O professor Jonathan Rees conduziu um estudo sobre ruivos na Universidade de Edimburgo. Ele identificou o gene para o cabelo ruivo, o MC1R, encontrado no 16º cromossomo.
  • Os cabelos avermelhados são uma mutação genética.
  • Em meados do século XVII, no final do reino da rainha Elizabeth I, a crença nas fadas chegou ao sudeste da Inglaterra. Desde aqueles tempos, elas são frequentemente imaginadas e representadas como lindas mulheres de cabelos ruivos.
  • O gene para cabelos avermelhados é recessivo. Ruivos podem nascer depois de gerações de morenos ou loiros na família.
  • Estudos indicam que, provavelmente, alguns neandertais eram ruivos.3
Sardas de ruivo.

Portugal

A presença de ruivos em Portugal ocorre ocasionalmente de norte a sul do país. Curiosamente, a povoação chamada A-dos-Ruivos teve o seu nome devido à presença de um grande número de ruivos no local.4
De acordo com o antropólogo e médico Eusebio Tamagnini numa pesquisa realizada sobre pigmentação de cabelo, publicado em 1936 pela Universidade de Coimbra,e em outras pesquisas produzidas por Mendes Correa,Cardoso Fonseca e Lopes Gonçalves,a média de ruivos em Portugal é de 3%.
Vista de perto de cabelos ruivos.

Referências

Bibliografia

Ver também

Ligações externas

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