sexta-feira, 8 de junho de 2012

Mercúrio (planeta)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Mercúrio Mercury symbol.svg

Mercúrio
Imagem em falsa cor de Mercúrio obtida pela MESSENGER.
Características orbitais [1]
Semieixo maior 57 909 100 km
0,387098 UA
Periélio 46 001 200 km
0,307499 UA
Afélio 69 816 900 km
0,466697 UA
Excentricidade 0,20563069 [2]
Período orbital 87,9691 dias (0,240846 anos)
Velocidade orbital média 47,87 km/s [2]
Inclinação 7,005° (com a eclíptica)
3,38° (com o equador solar)
6,34° (com o plano invariável)
Longitude do nó ascendente 48,331°
Argumento do perélio 29,124°
Satélites naturais Nenhum
Características físicas
Diâmetro equatorial 4 879,4 km [3][4]
0,3829 Terras
Achatamento 0 [4]
Área da superfície 7,48 × 107 km² [3]
0,147 Terras
Volume 6,083 × 1010 km³ [3]
0,056 Terras
Massa 3,3022 × 1023 kg[3][4]
0,055 Terras
Densidade média 5,43 g/cm³ [3]
Gravidade superficial 3,7 m/s²
0,38 g [3]
Velocidade de escape 4,25 km/s [3]
Período de rotação 58,646 dias
1407,5 horas [3]
Inclinação axial 0,01°
Albedo 0,10-0,12
Temperatura no equador min: 100 K (-173 °C)
med: 340 K (67 °C)
max: 700 K (427 °C)
Atmosfera
Pressão atmosférica Traços
Composição 42% de oxigênio molecular
29% de sódio
22% de hidrogênio
6% de hélio
0,5% de potássio
Vestígios de argônio, azoto, dióxido de carbono, vapor de água, xenônio, criptônio e neônio [2]
Mercúrio é o menor e mais interno planeta do Sistema Solar, orbitando o Sol a cada 87,969 dias terrestres. Sua órbita tem a maior excentricidade e seu eixo apresenta a menor inclinação em relação ao plano da órbita dentre todos os planetas do Sistema Solar. Mercúrio completa três rotações em torno de seu eixo a cada duas órbitas. O periélio da órbita de Mercúrio apresenta uma precessão de 43 segundos de arco por século, um fenômeno explicado somente no século XX pela Teoria da Relatividade Geral formulada por Albert Einstein.[5] Sua aparência é brilhosa quando observado da Terra, tendo uma magnitude aparente que varia de −2,3 a 5,7, embora não seja facilmente observado pois sua separação angular do Sol é de apenas 28,3º. Uma vez que Mercúrio normalmente se perde no intenso brilho solar, exceto em eclipses solares, só pode ser observado a olho nu durante o crepúsculo matutino ou vespertino.
Comparado a outros planetas, pouco se sabe a respeito de Mercúrio, pois telescópios em solo terrestre revelam apenas um crescente iluminado com detalhes limitados. As duas primeiras espaçonaves a explorar o planeta foram a Mariner 10, que mapeou aproximadamente 45% da superfície do planeta entre 1974 e 1975, e a MESSENGER, que mapeou outros 30% da superfície durante um sobrevoo em 14 de janeiro de 2008. O último sobrevoo ocorreu em setembro de 2009 e a nave está programada para entrar em órbita do planeta em 2011, quando começará a mapear o restante do planeta.
Mercúrio tem uma aparência similar à da Lua com crateras de impacto e planícies lisas, não possuindo satélites naturais nem uma atmosfera substancial. Entretanto, diferentemente da Lua, possui uma grande quantidade de ferro no núcleo que gera um campo magnético cuja intensidade é cerca de 1% da intensidade do campo magnético da Terra.[6] É um planeta excepcionalmente denso devido ao tamanho relativo de seu núcleo. A temperatura em sua superfície varia de 90 a 700 K (−183 °C a 427 °C).[7] O ponto subsolar é a região mais quente e o fundo das crateras perto dos polos as regiões mais frias.
As primeiras observações registradas de Mercúrio datam pelo menos do primeiro milênio antes de Cristo. Antes do século IV a.C., astrônomos gregos acreditavam que se tratasse de dois objetos distintos: um visível no nascer do sol, ao qual chamavam Apolo, e outro visível ao pôr-do-sol, chamado de Hermes.[8] O nome em português para o planeta provém da Roma Antiga, onde o astro recebeu o nome do deus romano Mercúrio, que tinha na mitologia grega o nome de Hermes (Ἑρμῆς). O símbolo astronômico de Mercúrio é uma versão estilizada do caduceu de Hermes.[9]

Índice

Estrutura interna

Mercúrio é um dos quatro planetas telúricos do Sistema Solar e seu corpo é rochoso como a Terra. É o menor planeta do sistema solar,[nota 1] com um raio equatorial de 2 439,7 km.[2] Mercúrio é até menor que os dois maiores satélites naturais do sistema solar, as luas Ganimede e Titã, embora seja mais massivo. O planeta é formado de aproximadamente 70% de material metálico e 30% de silicatos.[10] Sua densidade é a segunda maior do sistema solar, de 5,427 g/cm³, um pouco menor apenas do que a terrestre, de 5,515 g/cm³.[2] Se o efeito da compressão gravitacional fosse ponderado, os materiais constituintes de Mercúrio seriam mais densos, com uma densidade não-comprimida de 5,3 g/cm³, contra a terrestre de 4,4 g/cm³.[11]
A densidade de Mercúrio pode ser utilizada para inferir detalhes de sua estrutura interna. Enquanto a alta densidade terrestre resulta da apreciável compressão gravitacional, particularmente no núcleo planetário, Mercúrio é muito menor e suas regiões internas não são tão fortemente comprimidas. Portanto, para ter a densidade que apresenta, seu núcleo deve ser relativamente maior e rico em ferro.[12]
Representação da estrutura interna de Mercúrio:
1. Crosta—100–300 km de espessura
2. Manto—600 km de espessura
3. Núcleo—1,800 km de raio.
Os geólogos estimam que o núcleo de Mercúrio ocupe aproximadamente 42% de seu volume, enquanto na Terra a proporção é de 17%. Pesquisas recentes sugerem que seu núcleo seja fundido.[13][14] O núcleo é cercado por um manto com 500–700 km de espessura constituído de silicatos.[15][16] Baseado nos dados da missão da Mariner 10 e de observações terrestres, acredita-se que a crosta do planeta tenha entre 100 e 300 km de espessura.[17] Um dos detalhes característicos da superfície do planeta é a presença de numerosas cristas estreitas, que podem se estender por centenas de quilômetros. Acredita-se que essas estruturas foram formadas quando o núcleo e manto se resfriaram e contraíram numa época em que a crosta já estava solidificada.[18]
O núcleo de Mercúrio tem um teor de ferro maior que qualquer outro planeta no Sistema Solar, e várias teorias foram propostas para explicar esta característica. A mais amplamente aceita sugere que Mercúrio tinha originalmente uma razão metal/silicato similar a meteoros condritos, considerados como matéria-prima do Sistema Solar, e uma massa aproximadamente 2,25 vezes a atual.[19] Entretanto, no início da história do Sistema Solar, o planeta pode ter sido atingido por um planetesimal de aproximadamente um sexto de sua massa e várias centenas de quilômetros.[19] Este impacto pode ter removido grande parte da crosta e manto original, deixando o núcleo como o componente majoritário.[19] Um processo similar foi sugerido para explicar a formação da Lua (ver Big Splash).[19]
Outra teoria sugere que Mercúrio tenha sido formado da nebulosa solar antes que a energia solar tenha se estabilizado. O planeta teria inicialmente duas vezes a massa atual, mas à medida que o proto-Sol se contraiu, as temperaturas perto de Mercúrio poderiam estar entre 2 500 e 3 500 K, e possivelmente até superiores a 10 000 K.[20] Grande parte da superfície rochosa do planeta teria se vaporizado a tais temperaturas, formando uma atmosfera de "vapor de rocha" que teria sido levada pelo vento solar.[20]
Uma terceira hipótese sugere que a nebulosa solar provocou o arrasto das partículas a partir das quais Mercúrio vinha acretando, o que significa que as partículas leves foram perdidas do material acretante.[21] Cada uma destas hipóteses conduz a uma composição diferente da superfície e duas missões espaciais, MESSENGER e BepiColombo, têm como objetivo fazer observações para verificar sua constituição.[22][23]

Geologia da superfície

Primeira imagem de alta resolução de Mercúrio enviada pela sonda MESSENGER.
A aparência da superfície do planeta é bem similar à da Lua, com extensos mares planos e grandes crateras, indicando que a atividade geológica está inativa há bilhões de anos. Uma vez que o conhecimento obtido da geologia de Mercúrio está baseado nas observações da sonda Mariner em 1975 e de observações terrestres, é o planeta telúrico menos compreendido.[14] À medida que os dados da missão MESSENGER sejam processados este conhecimento aumentará. Como exemplo, foi descoberta uma cratera incomum com calhas radiantes, a qual os cientistas batizaram de "a aranha"[24]
Albedos se referem a áreas de refletividade marcadamente diferentes, como visto por observação telescópica. Mercúrio possui Dorsas (também chamadas de "cristas enrugadas"), terras altas, Montes (montanhas), planícies ou planos, Escarpas e Vallis (Vales).[25][26]
Mercúrio foi intensamente bombardeado por cometas e asteroides durante e logo depois da sua formação há 4,6 bilhões de anos, como também durante um possível episódio subsequente denominado "Intenso bombardeio tardio", que se encerrou há 3,8 bilhões de anos.[10] Durante esse período de intensa formação de crateras, o planeta recebeu impactos sobre toda a sua superfície,[26] o que foi facilitado pela ausência de qualquer atmosfera que diminuísse os impactos.[27] Durante esse período o planeta teve atividade vulcânica e bacias como a Caloris foram preenchidas por magma do interior planetário, que produziram planícies suaves similares aos mares lunares.[28][29]
Dados do sobrevoo da MESSENGER de outubro de 2008 forneceram aos pesquisadores uma melhor avaliação da natureza confusa da superfície mercuriana. Sua superfície é mais heterogênea que a marciana ou lunar, as quais contêm falhas significativas de geologia similar, como os mares e platôs.[30]

Bacias de impacto e crateras

A Bacia Caloris de mercúrio é uma das maiores características de impacto do sistema solar.
As crateras de impacto em Mercúrio variam de um diâmetro menor que uma bola a bacias de impacto com multi-anéis de centenas de quilômetros de tamanho. Elas aparecem em todos os estados de degradação, de relativamente novas a altamente degradadas crateras remanescentes. Crateras mercurianas diferem sutilmente das lunares em função da ação de uma força gravitacional mais forte.[31]
A maior cratera conhecida é a Bacia Caloris, que possui um diâmetro de 1 550 km.[32] O impacto que criou a bacia Caloris foi tão forte que causou erupções de lava e deixou um anel concêntrico com mais de 2 km de altura em volta do local do impacto. Na antípoda da bacia Caloris existe uma grande região conhecida como "Terreno Esquisito". Uma das hipóteses de sua origem seria que as ondas de choque geradas pelo impacto na bacia Caloris viajaram em torno do planeta, convergindo na antípoda da bacia. O resultado foi uma superfície altamente fraturada por estresse.[33] Outra teoria sugere que o terreno foi formado com um resultado da convergência da ejecta nesta antípoda da bacia.[34]
Ao todo, aproximadamente 15 bacias de impacto foram identificadas na área mapeada de Mercúrio. Uma bacia notável é a Bacia Tolstoj, com 400 km de tamanho e multi-anéis, que teve material ejetado cobrindo uma extensão de mais de 500 km da sua borda e um piso que foi preenchido por materiais de planícies suaves. A bacia Beethoven tem um tamanho similar de material ejetado e uma borda de 625 km de diâmetro.[31] Assim como a Lua, a superfície de Mercúrio sofreu os efeitos de processos de erosão espacial, incluindo o vento solar e impactos de micrometeoritos.[35]

Planícies

A região chamada de "Terreno Esquisito" foi formada pelo impacto na bacia Caloris no ponto antipodal.
Existem duas regiões planas geologicamente distintas em Mercúrio.[31][36] Planícies suavemente onduladas nas regiões entre as crateras de Mercúrio são as mais antigas superfícies visíveis,[31] anteriores aos terrenos com muitas crateras. Essas planícies inter-crateras são distribuídas uniformemente por toda a superfície do planeta e parecem ter obliterado muitas crateras anteriores, e mostram uma escassez geral de crateras menores de 30 km de diâmetro.[36] Ainda não está claro se estas são de origem vulcânica ou originadas de impactos.[36]
Planícies suaves são áreas achatadas espalhadas que preenchem depressões de vários tamanhos e têm uma forte semelhança com os mares lunares. Notavelmente, elas preenchem um largo anel em torno da bacia Caloris. Ao contrário dos mares lunares, as planícies suaves de Mercúrio têm o mesmo albedo que as mais antigas inter-crateras. Apesar da ausência de características vulcânicas inequívocas, a localização e formato redondo destas planícies suportam fortemente sua origem vulcânica.[31] Todas essas planícies suaves foram formadas significativamente depois da bacia Caloris, como evidenciado pela menor densidade de crateras onde houve ejeção de material de Caloris.[31] O piso da bacia Caloris é preenchido por uma planície geologicamente distinta, quebrada por rugas e fraturas em um padrão aproximadamente poligonal. Não está claro se são lavas vulcânicas induzidas pelo impacto, ou um grande lençol derretido pelo impacto.[31]
Uma característica típica da superfície do planeta são as numerosas dobras de compressão, ou Rupes, que cruzam as planícies. À medida que o interior do planeta se resfriou, pode ter se contraído e sua superfície começou a se deformar, criando estas formações. As dobras podem ser vistas no topo de outras formações, tais como crateras e planícies, indicando que as dobras são mais recentes.[37] A superfície planetária sofre significativo efeito de marés provocado pelo Sol, que é 17 vezes mais forte que o efeito da Lua sobre a Terra.[38]

Superfície e exosfera

Imagem de radar do polo norte de Mercúrio.
A temperatura média da superfície de Mercúrio é de 169,35 °C (442,5 K) ,[2] mas varia numa faixa de -173,15 °C (100 K) a 426,85 °C (700 K) [39] devido à ausência de atmosfera e um abrupto gradiente de temperatura entre o equador e os polos. O ponto subsolar alcança aproximadamente 700 K durante o periélio e então cai para 550 K durante o afélio.[40] No lado escuro do planeta, a temperatura média é de 110 K (-163,15 °C).[41] A intensidade da luz solar na superfície varia entre 4,59 e 10,61 vezes a constante solar (1 370 W·m−2).[42]
Apesar das temperaturas geralmente extremas em sua superfície, as observações feitas sugerem fortemente a presença de gelo no planeta. Os pisos de crateras profundas no solo nunca são expostos diretamente à luz solar, e a temperatura ali permanece abaixo de 102 K, bem abaixo da temperatura média global[43] O gelo reflete com grande intensidade o radar, e observações do Observatório Goldstone e do VLA no início da década de 1990 revelaram a presença de áreas com grande reflexão do radar perto dos polos.[44] Embora o gelo não seja a única causa possível dessas regiões reflexivas, os astrônomos acreditam que seja a mais provável.[45]
Acredita-se que as regiões tenham aproximadamente 1014 a 1015 kg de gelo,[46] e podem estar cobertas de uma camada de regolitos que inibe a sublimação.[47] Em comparação, a camada de gelo sobre a Antártica tem uma massa de aproximadamente 4×1018 kg e a calota polar do sul de Marte tem 1016 kg de água.[46] A origem do gelo em Mercúrio ainda não é conhecida, mas as duas fontes mais prováveis são degaseificação do interior do planeta ou a deposição de gelo pelo impacto de cometas.[46]
Comparação do tamanho dos planetas telúricos, da esquerda para a direita: Mercúrio, Vênus, Terra e Marte.
Mercúrio é muito pequeno para sua gravidade reter qualquer atmosfera significativa por um longo período de tempo, entretanto possui uma "tênue exosfera na superfície"[48] contendo hidrogênio, hélio, oxigênio, sódio, cálcio e potássio. Essa exosfera não é estável — átomos são continuamente perdidos e repostos de várias fontes. O hidrogênio e o hélio provavelmente provêm do vento solar, difundido na magnetosfera mercuriana antes de escapar de volta para o espaço. O decaimento radioativo de elementos do interior da crosta é outra fonte de hélio, assim como de sódio e potássio. A sonda MESSENGER encontrou altas proporções de cálcio, hélio, hidróxidos, magnésio, oxigênio, silício e sódio na exosfera. O vapor de água presente provém de uma combinação de processos tais como cometas atingindo a superfície, pulverização catódica através do hidrogênio do vento solar e oxigênio do solo e sublimação de reservatórios de gelo na sombra permanente das crateras polares. A detecção de grandes quantidades dos íons O+, OH-, e H2O+ foi uma surpresa,[49][50] por causa da quantidade que foi detectada no ambiente espacial de Mercúrio. Os cientistas supõem que essas moléculas foram arrancadas da superfície do planeta ou exosfera pelo vento solar.[51][52]
O sódio e o potássio foram descobertos na atmosfera durante as década de 1980 e 1990 e acredita-se que sejam primariamente o resultado da vaporização da superfície da rocha pelo impacto de micrometeoritos. Devido à capacidade destes elementos em difundir a luz solar, observações terrestres puderam facilmente detectar sua composição na atmosfera. Estudos indicam que às vezes emissões de sódio são localizadas em locais que correspondem ao dipolo magnético do planeta, indicando a interação entre a magnetosfera e a superfície do planeta.[53]

Campo magnético e magnetosfera

Gráfico mostrando a força relative do campo magnético mercuriano.
Apesar do seu pequeno tamanho e lenta velocidade de rotação em 59 dias, Mercúrio tem um campo magnético significativo e aparentemente global. De acordo com medições realizadas pela sonda Mariner 10, sua força é de aproximadamente 1,1% do terrestre, sendo de 300 nT na linha do equador do planeta. As medidas feitas pelas sondas Mariner 10 e MESSENGER indicaram que a força e formato do campo magnético são estáveis.[54][55][56] Assim como na Terra, o campo magnético mercuriano é de natureza dipolar[53], todavia está quase alinhado com o eixo de rotação do planeta, diferentemente do terrestre.[54]
É provável que o campo magnético seja gerado por meio de um efeito dínamo, de modo similar ao campo terrestre.[57][58] Este efeito dínamo seria resultado da circulação do núcleo líquido rico em ferro. O efeito de maré provocado pela alta excentricidade orbital do planeta serviria para manter o núcleo no estado líquido necessário para manter este efeito dínamo.[59]
O campo magnético mercuriano é forte o suficiente para defletir o vento solar em torno do planeta, criando uma magnetosfera que, apesar de ser menor que a Terra, é forte o suficiente para capturar o plasma do vento solar, contribuindo assim para a erosão espacial na superfície do planeta.[54] Observações feitas pela sonda Mariner 10 detectaram plasma de baixa energia na magnetosfera do planeta no lado escuro e explosões de partículas energéticas foram detectadas na magnetocauda do planeta, o que indica uma qualidade dinâmica da magnetosfera.[53]
Durante seu segundo sobrevoo do planeta em 06 de outubro de 2008, a sonda MESSENGER descobriu que o campo magnético pode ser extremamente “furado”. A sonda encontrou “tornados” magnéticos – feixes deformados do campo magnético conectando o campo magnético planetário com o espaço sideral – que tinham até 800 km de largura, ou um terço do raio do planeta. Estes tornados são formados quando campos magnéticos carregados pelo vento solar são conectados ao campo mercuriano. À medida que o vento solar empurra o campo magnético, estes campos magnéticos conectados são carregados juntos e misturados em estruturas parecidas com um vórtex. Estes tubos de fluxos magnéticos misturados, tecnicamente conhecidos como eventos de transferência de fluxos, formam aberturas no escudo magnético do planeta através do qual o vento solar pode penetrar e atingir diretamente a superfície de Mercúrio.[60]
O processo de ligação dos campos magnéticos planetário e interplanetário, chamado de reconexão magnética, é comum no espaço e ocorre no campo magnético terrestre da mesma forma. Todavia, a sonda MESSENGER observou que a taxa de reconexões em Mercúrio é dez vezes maior que a terrestre. A proximidade do Sol contribui com apenas um terço da taxa observada pela MESSENGER.[60]

Órbita e rotação

Órbita de Mercúrio em amarelo.
Mercúrio tem a maior excentricidade orbital de todos os planetas, com um valor de 0,21, com a distância do Sol variando de 46 a 70 milhões de quilômetros e levando 88 dias para completar uma período de translação. O diagrama à esquerda ilustra os efeitos da excentricidade, mostrando a órbita de Mercúrio sobrepondo uma órbita circular com o mesmo semieixo maior. A velocidade maior do planeta quando está perto do periélio é claramente mostrada pela distância maior coberta num intervalo de cinco dias. O tamanho das esferas é inversamente proporcional a sua distância do Sol e é utilizada para ilustrar a variação da distância heliocêntrica. Esta variação da distância do Sol, combinada com a ressonância orbital de rotação do planeta em torno de seu eixo, resulta numa complexa variação da temperatura da superfície.[61]
Um dia solar em Mercúrio dura aproximadamente 176 dias terrestres, o que é aproximadamente duas vezes maior que seu período orbital de 88 dias terrestres. Como resultado, um ano de Mercúrio tem 0,5 dia mercuriano ou 1 dia dura aproximadamente 2 anos.[62]
A órbita mercuriana está inclinada em 7º em relação ao plano da órbita da Terra (a eclíptica), conforme mostrado no diagrama à direita, Como resultado, o trânsito de Mercúrio sobre o Sol ocorre apenas quando o planeta está cruzando o plano da eclíptica terrestre quando está entre a Terra e o Sol, evento que acontece em média a cada sete anos.[63]
Órbita de Mercúrio conforme observada do nodo ascendente (abaixo) e de 10º acima (topo).
A inclinação axial mercuriana é quase zero,[64][65] com o melhor valor medido sendo de 0,027º.[66] Este valor é significativamente menor que a inclinação de Júpiter, que ostenta a segunda menor inclinação de todos os planetas, com 3,1 graus. Isto significa que, para um observador no polo de Mercúrio, o centro do sol nunca ascenderia mais de 2,1 minutos de arco acima do horizonte.[66]
Em certos pontos da superfície do planeta, um observador observaria o Sol nascer aproximadamente metade do caminho e então reverter e se pôr antes de nascer novamente, tudo isso no mesmo dia mercuriano. Isto é porque aproximadamente quatro dias antes do periélio, a velocidade orbital angular se iguala à velocidade rotacional angular, então o movimento aparente do Sol cessa; no periélio, a velocidade orbital angular então excede a rotacional e assim o Sol aparece num movimento retrógado. Quatro dias após o periélio, o movimento aparente do Sol reinicia-se nesses pontos.[61]

Ressonância rotação-translação

Depois de um período de translação, Mercúrio rotacionou 1,5 vezes, então após dois períodos translacionais completos novamente o mesmo hemisfério estará iluminado.
Por muitos anos acreditou-se que Mercúrio estava sincronizado pelo efeito de maré com o Sol, rotacionando uma vez por translação e mantendo sempre a mesma face voltada para o Sol, do mesmo modo que o mesmo lado da Lua está sempre voltado para a Terra. Entretanto, observações de radar em 1965 provaram que o planeta tem uma ressonância roto-translacional de 3:2, rotacionando três vezes para cada duas translações em torno do Sol; a excentricidade da órbita de Mercúrio torna a ressonância estável – no periélio, quando a maré solar é mais forte, o Sol está quase parado no céu mercuriano.[67] A razão original para os astrônomos acreditarem que estava sincronizado era porque toda vez que Mercúrio estava numa condição ótima de observação, estava sempre perto do mesmo ponto de ressonância, portanto mostrando a mesma face. Isto é porque, coincidentemente, a rotação de Mercúrio tem quase a metade do período sinódico em relação à Terra. Devido à ressonância 3:2 roto-translacional mercuriana, um dia solar (o comprimento entre dois trânsitos meridianos do Sol) dura aproximadamente 176 dias terrestres.[61] Um dia sideral (o período de rotação) dura aproximadamente 58,7 dias terrestres.[61]
Simulações indicam que a excentricidade orbital de Mercúrio varia caoticamente de quase zero (circular) a mais de 0,45 durante milhões de anos, devido a perturbações provocadas por outros planetas.[61][68] Acredita-se que isto explica a ressonância 3:2 roto-translacional (em vez da mais usual 1:1), uma vez que este estado é mais provável de surgir num período de alta excentricidade.[69]
Simulações numéricas mostram que uma interação orbital ressonante com Júpiter pode levar a excentricidade orbital de Mercúrio a aumentar ao ponto de o planeta poder se chocar com Vênus nos próximos 5 bilhões de anos.

Avanço do periélio

Em 1859, o matemático e astrônomo francês Urbain Le Verrier relatou que a lenta precessão da órbita de Mercúrio em torno do Sol não poderia ser completamente explicada pela mecânica Newtoniana e perturbações dos planetas conhecidos. Ele sugeriu, entre as possíveis explicações, que outro planeta (ou talvez uma série de ‘corpúsculos’ menores) poderia existir em uma órbita solar até menor que a de Mercúrio, para dar uma explicação para esta perturbação.[70] O sucesso na busca por Netuno baseada nas perturbações da órbita de Urano levou os astrônomos a dar fé a esta possível explicação, e o hipotético planeta foi até nomeado de Vulcano. Entretanto, tal planeta nunca foi encontrado.[71]
A precessão de Mercúrio é de 5600 segundos de arco por século e a mecânica newtoniana, levando em conta todos os efeitos de outros planetas, prevê uma precessão de 5557 segundos de arco por século.[72] No início do século XX, a Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein apresentou uma explicação para o fenômeno observado da precessão. O efeito é bem pequeno: o avanço relativístico do periélio mercuriano é de apenas 42,98 segundos de arco por século além do esperado, portanto é necessário um pouco mais de doze milhões de translações para uma volta adicional completa. O efeito ocorre de modo similar em outros planetas, embora seja muito menor, sendo de 8,62 segundos de arco por século para Vênus, 3,84 para a Terra, 1,35 para Marte e 10,05 para Ícarus 1566.[73][74]

Sistema de Coordenadas

A longitude de Mercúrio aumenta na direção oeste e uma pequena cratera chamada Hun Kal é o ponto de referência para a medida da longitude. O centro de Hun Kal está a 20° de longitude oeste.

Observação

Trânsito de Mercúrio sobre o disco solar em 08/11/2006.
A magnitude aparente mercuriana varia entre -2,3 – mais brilhante que Sirius - e 5,7, ocorrendo os extremos quando Mercúrio está bem perto do Sol no céu.[75] A observação do planeta é complicada devido a sua proximidade do Sol, já que ele se perde no brilho solar por grande parte do tempo. Mercúrio pode ser observado apenas num curto período durante o crepúsculo matinal ou vespertino. O Telescópio Espacial Hubble não pode observar o planeta, devido a procedimentos de segurança que impedem que seja apontado para tão perto do Sol.[76]
Assim como a Lua, Mercúrio possui fases quando observado da Terra, sendo a "nova" a conjunção inferior e a "cheia" a conjunção superior. O planeta fica invisível em ambas as ocasiões por causa da proximidade relativa do Sol. O primeiro e o último quarto de fases ocorrem na elongação máxima a leste e oeste, respectivamente, quando a separação de Mercúrio do Sol varia de 17,9º no periélio a 27,8º no afélio.[77][78] Na maior elongação a oeste, Mercúrio nasce no Céu mais cedo antes do nascer do Sol, e na maior a leste, se põe no seu mais tarde depois do pôr do Sol.[79]
Mercúrio atinge a conjunção inferior em média a cada 116 dias,[2] mas o intervalo pode variar de 105 a 129 dias devido à excentricidade orbital do planeta. A distância mínima entre o planeta e a Terra pode atingir 77,3 milhões de quilômetros. Em 871, a menor aproximação foi a primeira em 41 mil anos a ser menor que 82,2 Gm, e já se repetiu 68 vezes desde então, como em 2008. Depois de um longo intervalo, a próxima aproximação a 82,1 Gm será em 2679, e a 82 Gm em 4487, mas não numa distância menor que 80 Gm até 28622. O seu período de movimento retrógado aparente, conforme acompanhado da Terra, pode variar de 8 a 15 dias tanto na conjunção inferior quanto na superior, sendo esta grande variação devida à excentricidade orbital do planeta.[61]
Mercúrio é frequentemente observado com maior facilidade do hemisfério sul terrestre do que do norte, porque suas elongações máximas a oeste do Sol ocorrem no início do outono do hemisfério sul, enquanto as elongações máximas a leste ocorrem durante o término do inverno no hemisfério sul. Em ambos os casos, o ângulo de Mercúrio com a eclíptica é maximizado, permitindo nascer várias horas antes do Sol na primeira situação e várias horas após o pôr do Sol em países localizados na zona sul temperada, tais como Argentina e Nova Zelândia.[79] Por outro lado, nas latitudes ao norte, Mercúrio nunca está acima do horizonte em condições de luminosidade adequadas. Assim como vários outros planetas e estrelas brilhantes, pode ser observado durante um eclipse solar total.[80]
Mercúrio é mais brilhante observado da Terra quando está em uma fase oval, entre o quarto crescente e a cheia. Embora o planeta esteja mais longe da Terra na fase oval do que na fase crescente, a maior área iluminada visível mais do que compensa a maior distância.[nota 2]

Astronomia antiga

As mais antigas observações registradas de Mercúrio são das tabelas de Mul.Apin. Estas observações foram provavelmente feitas por um astrônomo assírio por volta do século XIV a.C.[82] A escrita cuneiforme utilizada para designar o planeta na tabela é transcrita como UDU.IDIM.GU4.UD (“O planeta que pula”)[nota 3] Registros babilônicos de Mercúrio datam do primeiro milênio a.C., quando chamavam o planeta de Nabu, o mensageiro dos deuses em sua mitologia.[84]
Os gregos da antiguidade do período de Hesíodo conheciam o planeta como Στίλβων (Stilbon), que significa "o resplandecente", e Ἑρμάων (Hermaon).[85] Posteriormente, os gregos chamaram o planeta de Apolo quando estava visível no céu da manhã e Hermes quando visível no entardecer. Por volta do século IV a.C. os astrônomos gregos perceberam que os dois nomes se referiam ao mesmo corpo celeste. Os romanos batizaram o planeta com o nome do mensageiro dos seus deuses, Mercúrio (em latim, Mercurius), equivalente ao grego Hermes, em virtude de o astro cruzar o firmamento mais rápido que qualquer outro planeta.[8][86]
Na China antiga, Mercúrio era conhecido como Ch’em-Hsing, a estrela da hora, e estava associado com a direção do norte e a fase da água no Wu Xing.[87] A mitologia hindu utilizava o nome de Buda para Mercúrio e acreditava-se que este deus presidia a quarta-feira;[88] no paganismo germânico, o astro era representado pelo deus Odin (ou ‘’Woden’’), também associado a este dia da semana.[89] A civilização maia provavelmente representou o planeta como uma coruja (ou possivelmente quatro corujas, duas para a manhã e duas para a tarde), que servia com mensageira para o mundo dos mortos.[90]
Modelo do astrônomo Ibn al-Shatir para as aparições do planeta, mostrando a multiplicação dos epiciclos utilizando o par de Tusi, e assim eliminando as excentricidades de Ptolomeu e equante.
Na astronomia indiana antiga, o Surya Siddhanta, um texto astronômico indiano do século V, estima o diâmetro de Mercúrio em 3.008 milhas, um erro de menos de 1% do diâmetro atualmente aceito, de 3.032 milhas. Entretanto, esta indicação se baseava em uma imprecisa estimativa do diâmetro angular do planeta de 3 minutos de arco.
Na astronomia islâmica medieval, o astrônomo de Al-Andalus Abū Ishāq Ibrāhīm al-Zarqālī no século XI representou o epiciclo da órbita geocêntrica mercuriana como uma elipse, partindo da noção dos gregos antigos do movimento circular uniforme.[91][92] No século XII, Ibn Bajjah observou "dois planetas como pontos pretos na superfície do Sol", que foi posteriormente sugerido como trânsito de Mercúrio e/ou Vênus pelo astrônomo de Maragha Qotb al-Din Shirazi no século XIII,[93] apesar de a maioria dos registros medieveis de trânsitos terem sido posteriormente interpretados como observações de manchas solares.[94]) No século XIV, Ibn Qayyim Al-Jawziyya reconheceu Mercúrio como o menor planeta conhecido,[95] enquanto Ibn al-Shatir, como uma alternativa ao modelo de Ptolomeu, produziu seu próprio modelo geocêntrico de Mercúrio. Isto pode ter influenciado as bases do modelo heliocêntrico de Mercúrio, mas isto num contexto heliocêntrico.[96][97][98]
Na Índia, o astrônomo Nilakantha Somayaji, da escola Kerala, desenvolveu no século XV um sistema planetário parcialmente heliocêntrico em que Mercúrio orbitava o Sol, que por sua vez orbitava a Terra, similar ao Sistema de Tycho proposto posteriormente por Tycho Brahe no final do século XVI. Entretanto, o sistema Nilakantha era mais exato em predizer a órbita de Mercúrio que os posteriores de Tycho e Copérnico, e permaneceu como o mais exato até o século XVII, quando Johannes Kepler reformulou os cálculos para o planeta de um modo semelhante ao que Nilakantha havia feito.[99][100][101]

Pesquisa de observações terrestres

Trânsito de Mercúrio. Mercúrio é o pequeno ponto no abaixo do centro, em frente ao Sol. A área escura na esquerda do disco solar é uma mancha.
As primeiras observações telescópicas de Mercúrio foram feitas por Galileu no início do século XVII, e embora ele tenha observado fases enquanto observava Vênus, seu telescópio não foi potente o suficiente para visualizar as fases mercurianas. Em 1631 Pierre Gassendi fez a primeira observação do trânsito astronômico de um planeta sobre o disco solar quando observou o trânsito de Mercúrio previsto por Johannes Kepler. Em 1639, Giovanni Zupi descobriu que o planeta tinha fases orbitais assim como a Lua e o planeta Vênus. Esta observação demonstrou conclusivamente que Mercúrio orbitava em torno do Sol.[61]
Um raro evento na astronomia é a passagem de um planeta à frente de outro (ocultação), quando observado da Terra. Mercúrio e Vênus se ocultam com frequência de alguns séculos, e o único evento deste tipo historicamente observado foi em 28 de maio de 1737, por John Bevis do Observatório de Greenwich.[102] A próxima ocultação de Mercúrio por Vênus ocorrerá em 3 de dezembro de 2133.[103]
As dificuldades inerentes à observação de Mercúrio implicam que este foi de longe o menos estudado dos planetas. Em 1800, Johann Schröter fez observações de características da superfície, afirmando ter observado montanhas de 20 km de altura. Friedrich Bessel utilizou os desenhos de Schröter e erroneamente estimou o período de rotação em 24 horas e uma inclinação axial de 70º.[104] Na década de 1880, Giovanni Schiaparelli mapeou o planeta com uma exatidão maior e sugeriu que o período rotacional era de 88 dias, o mesmo que o período orbital devido ao efeito de maré.[105] Este fenômeno é conhecido como rotação sincronizada e é observado na Lua terrestre. Os esforços para mapear a superfície de Mercúrio foram continuados por Eugenios Antoniadi, que publicou um livro em 1934 que incluía mapas e suas próprias observações.[53] Muitas das características da superfície do planeta, particularmente os albedos, têm seus nomes retirados dos mapas de Antoniadi.[106]
Em junho de 1962, cientistas soviéticos do Instituto de Rádio-Engenharia e Eletrônica da Academia de Ciências da União Soviética, liderados por Vladimir Kotelnikov, tornaram-se os primeiros a enviar sinais de radar para Mercúrio e receber respostas, iniciando as observações por radar do planeta.[107][108][109] Três anos mais tarde, observações de radar dos estadunidenses Gordon Pettengill e R. Dyce, utilizando um radiotelescópio de 300 m do Observatório de Arecibo, em Porto Rico, demonstraram conclusivamente que o período rotacional do planeta era de cerca de 59 dias terrestres.[110][111]
A teoria de que a rotação de Mercúrio estava sincronizada tinha se tornado amplamente aceita, e foi uma surpresa para os astrônomos quando estas observações foram anunciadas. Se Mercúrio fosse sincronizado pelo efeito de maré, sua face escura deveria ser extremamente fria, porém as medições de emissões de rádio revelaram que a temperatura era muito mais quente que o esperado. Os astrônomos foram relutantes em abandonar a teoria da rotação sincronizada e propuseram mecanismos alternativos, tais como poderosos ventos distribuidores de calor, para explicar estas observações.[112]
O astrônomo italiano Giuseppe Colombo percebeu que o valor da rotação era aproximadamente dois terços do período de translação mercuriano, e propôs que a relação entre a translação e a rotação estavam sincronizadas em 3:2, em vez de uma ressonância de 1:1.[113] Dados da sonda espacial Mariner 10 confirmaram posteriormente este teoria.[114] Isto significa que os mapas de Schiaparelli e Antoniadi não estavam “errados”. Na verdade, os astrônomos viram as mesmas características durante cada “segunda” órbita e as registraram, mas negligenciaram aquelas vistas no meio tempo, quando a outra face de Mercúrio estava voltada para o Sol, uma vez que a geometria orbital implicava em que estas observações fossem feitas sob condições de visibilidade ruins.[104]
Observações terrestres não revelaram muito sobre a estrutura do planeta, e somente quando a primeira sonda espacial foi enviada é que muitas das propriedades mais fundamentais do planeta foram conhecidas. Todavia, avanços tecnológicos recentes têm melhorado as observações terrestres. Em 2000, observações em alta resolução pelo método Lucky imaging foram conduzidas pelo Observatório Monte Wilson e forneceram as primeiras visões que solucionaram as características da superfície que não foram fotografadas pela missão Mariner.[115] Imagens posteriores evidenciaram uma grande bacia de impacto com um anel duplo, maior ainda que a Bacia Caloris na região não fotografada pela Mariner, a qual foi informalmente apelidada de Bacia Skinakas.[116]
A maior parte da superfície foi mapeada pelo telescópio de Arecibo, com uma resolução de 5 km, incluindo depósitos polares nas regiões de sombra das crateras, que podem ser de gelo.[117]

Pesquisa com sondas espaciais

Alcançar Mercúrio a partir da Terra apresenta desafios técnicos significativos, uma vez que o planeta orbita o Sol muito mais próximo do que a Terra. Uma espaçonave lançada da Terra precisa viajar por 91 milhões de quilômetros adentrando o poço de potencial gravitacional do Sol e a velocidade orbital mercuriana é de 48 km/s, enquanto a terrestre é de 30 km/s. Portanto, uma espaçonave precisa realizar uma grande mudança em sua velocidade (delta-v) para entrar na órbita de transferência de Hohmann que passa perto de Mercúrio, comparada com o delta-v necessário para outras missões planetárias.[118]
A energia potencial liberada pelo movimento em direção ao poço de potencial solar torna-se energia cinética, exigindo outra grande alteração no delta-v para fazer qualquer coisa diferente de passar rapidamente direto por Mercúrio. Para pousar com segurança ou entrar em órbita estável, a espaçonave deve contar com motores de foguetes. Frenagem a ar está fora de cogitação por causa da tênue atmosfera. Uma viagem para Mercúrio exige mais combustível do que para escapar completamente do sistema solar. Como resultado, apenas duas sondas espaciais foram enviadas ao planeta até o momento.[119] Uma alternativa de aproximação proposta seria a utilização de velas solares para atingir uma órbita sincronizada à mercuriana ao redor do Sol.[120]

Mariner 10

A sonda Mariner 10, a primeira a visitar o planeta de perto.
Vista de Mercúrio a partir da Mariner 10.
A primeira espaçonave a visitar Mercúrio foi a sonda Mariner 10 da NASA (1974–75)[8] e utilizou a força da gravidade de Vênus para ajustar sua velocidade orbital para que pudesse se aproximar de Mercúrio, tornando-se a primeira nave espacial a utilizar o efeito da gravidade assistida e a primeira da NASA a realizar uma missão de visita a múltiplos planetas.[118] A sonda forneceu as primeiras imagens próximas da superfície mercuriana, que imediatamente mostraram sua natureza repleta de crateras, e revelaram muitos outros tipos de características geológicas, tais como declives gigantes que foram posteriormente atribuídos ao efeito do planeta encolhendo ligeiramente, em função do núcleo de ferro resfriando-se.[121] Infelizmente, devido ao comprimento do período orbital da Mariner 10, a mesma face do planeta estava iluminada a cada aproximação da sonda, tornando impossível a observação de ambos os lados do planeta[122] e resultando num mapeamento de menos de 45% da superfície planetária.[123]
No dia 27 de março de 1974, dois dias antes do primeiro sobrevoo sobre Mercúrio, os instrumentos da sonda começaram a registrar grandes quantidades de uma inesperada radiação ultravioleta próximo a Mercúrio. Isto levou à tentativa de identificação de um satélite mercuriano. Pouco depois, a fonte de radiação foi identificada como a estrela 31 da constelação de Crater e a lua mercuriana passou para os livros da história da astronomia como uma nota de rodapé.
A sonda realizou três aproximações de Mercúrio e a mais próxima passou a uma distância de 327 km da superfície.[124] Na primeira aproximação, os instrumentos detectaram um campo magnético, para grande surpresa dos geólogos planetários – esperava-se que a rotação mercuriana fosse muito lenta para gerar um efeito dínamo significativo. A segunda aproximação foi utilizada principalmente para obtenção de imagens e a terceira para uma extensiva coleta de dados sobre o campo magnético. Os dados revelaram que o campo magnético é semelhante ao terrestre, defletindo o vento solar em torno do planeta. Entretanto, a origem do campo magnético mercuriano ainda é matéria de muitas teorias.[125]
Poucos dias após sua aproximação final, a sonda esgotou seu combustível. Como ela não podia mais ser controlada com precisão, os controladores da missão instruíram-na a se auto-desligar em 24 de março de 1975.[126] A sonda provavelmente ainda está orbitando o Sol, passando próximo ao planeta com um frequência de poucos meses.[127]

MESSENGER

A sonda MESSENGER sendo preparada para lançamento.
Uma segunda missão da NASA para Mercúrio, nomeada MESSENGER (acrônimo de MErcury Surface, Space ENvironment, GEochemistry, and Ranging) foi lançada em 3 de agosto de 2004 do Cabo Canaveral a bordo do foguete Delta II. Ela fez um sobrevoo na Terra em agosto de 2005 e em Vênus em outubro de 2006 e junho de 2007, de modo a estabelecer uma trajetória correta para alcançar a órbita mercuriana.[128] O primeiro sobrevoo em Mercúrio aconteceu no dia 14 de janeiro de 2008, o segundo em 6 de outubro de 2008 [129] e o terceiro em 29 de setembro de 2009.[130] A maior parte da superfície não fotografada pela sonda Mariner 10 foi mapeada durante estes sobrevoos e em março de 2011 a sonda entrará em órbita elíptica em torno do planeta, tendo a missão de mapeamento a duração de 1 ano terrestre.[129]
A missão foi projetada para esclarecer seis pontos chaves: a alta densidade mercuriana, sua história geológica, a natureza de seu campo magnético, a estrutura de seu núcleo, a existência ou não de gelo em seus polos e de onde vem sua tênue atmosfera. Para cumprir esta missão, a sonda está equipada com dispositivos fotográficos que irão coletar imagens com resolução muito maior de muito mais áreas do que a Mariner 10, espectrômetros variados para determinar a abundância dos elementos na crosta e magnetômetros e dispositivos para medição da velocidade de partículas carregadas. Medições detalhadas de pequenas mudanças na velocidade da sonda em sua órbita serão utilizadas para inferir detalhes sobre a estrutura do interior do planeta.[22]

BepiColombo

A Agência Espacial Europeia está planejando uma missão conjunta com o Japão chamada BepiColombo, que irá orbitar Mercúrio com duas sondas: uma para mapear o planeta e outra para estudar sua magnetosfera.[131] Uma vez lançada, estima-se que a espaçonave alcançará Mercúrio em 2019.[132] A espaçonave irá liberar uma sonda magnetométrica em um órbita elíptica, e então foguetes químicos irão queimar para colocar a sonda mapeadora em uma órbita circular. Ambas as sondas irão operar por um ano terreste.[131] A sonda mapeadora irá carregar uma série de espectrômetros semelhantes aos da MESSENGER, que irão estudar o planeta em vários comprimentos de onda, incluindo infravermelho, ultravioleta, raio-x e radiação gama.[133]

Mercúrio na cultura

Mitologia e astrologia

Jacob Matham: Mercurius, 1597. Gravura em metal
A origem do nome provém do deus Mercúrio, mensageiro dos deuses da mitologia romana, devido ao movimento rápido do planeta no céu em relação a outros planetas. Higino disse que sua dedicação ao deus se devia ao fato de que ele havia sido o primeiro a estabelecer os meses e a perceber o curso das constelações.[134] Na astrologia, o planeta está associado com a capacidade de aprender, se adaptar, trocar e desenvolver sociabilidade e de se expressar e é o regente dos signos de Gêmeos e Virgem, comandando a terceira e a sexta casas do zodíaco.[135][136][137] O movimento retrógado aparente do planeta influencia tudo que se relaciona a este, de modo a provocar interrupção ou desentendimentos nas formas de comunicação regidas pelo planeta.[138]

Ficção científica

O pequeno tamanho de Mercúrio e sua proximidade com o Sol tornaram as observações científicas iniciais difíceis, e isso afetou o modo como foi representado na cultura. Em 1750 o Cavaleiro de Béthune escreveu um livro, Relation du monde de Mercure, onde o imaginou habitado por uma população de seres alados, cuja morte não era compulsória, e em perpétuo desfrute beatífico da luz do Sol. No século XIX apareceu mais literatura especulativa, entre elas Ariel (1886), de W. D. Lach-Szyrma, que imaginou seres mercurianos vivendo em sofisticados carros voadores nas várias camadas de uma suposta atmosfera planetária. Em 1893 Giovanni Schiaparelli declarou que Mercúrio mantinha sempre a mesma face voltada para o Sol, no que concordou Percival Lowell, gerando um farto imaginário literário de um planeta com um de seus lados extremamente quente e outro extremamente frio. Esta suposição equivocada persistiu até 1965, quando se descobriu a rotação mercuriana, mas então um copioso folclore e literatura ficcional e até mesmo humorística havia sido produzido incorporando este engano. Em algumas novelas o planeta foi apresentado inabitado, em outras como lar de monstros e, em outras mais, povoado por uma diversidade de seres humanoides. Em The Last Planet (1934) de R. F. Starzl, e em Intelligence Undying (1936) de Edmond Hamilton, Mercúrio foi descrito como o refúgio da humanidade quando o Sol esfria.[139]
Na década de 1950, quando o gênero da ficção científica começou a ser mais baseado em fatos, a hostilidade do ambiente mercuriano deu origem a histórias mais violentas, como Battle on Mercury (1956), de Lester del Rey, Lucky Starr and the Big Sun of Mercury (1956), de Isaac Asimov, Hot Planet (1963), de Hal Clement, The Coldest Place (1964), de Larry Niven, e Mission to Mercury (1965), de Hugh Walter, entre muitas outras. Mesmo quando a rotação planetária foi descoberta e quando em 1975 foi confirmada a ausência de atmosfera, o estilo da geração anterior de novelistas continuou prevalecendo, mas sua concepção como um planeta habitado logo desapareceu da literatura. Em seu lugar, surgiu na ficção uma ideia de que Mercúrio poderia ser uma base para a exploração do Sol, como em Sundliver (1980), de David Brin, ou como uma fonte de minerais exploráveis, da forma como Stephen Baxter o mostrou em Cilia-of-Gold (1994). Tom Purdom em 2000 publicou Romance in Extended Time, onde Mercúrio é a base para terraformação, sendo circundado por uma grande estufa, e em Kath and Quicksilver (2005), de Larry Niven e Brenda Cooper, Mercúrio aparece lentamente engolfado pelo Sol em expansão.[139]

Ver também

Commons
O Commons possui multimídias sobre Mercúrio (planeta)

Notas

  1. Plutão era considerado o menor planeta mas foi reclassificado como planeta anão em 2006.
  2. O oposto é verdadeiro para Vênus, que aparece mais brilhante na fase crescente, pois está muito mais próximo da Terra do que na fase oval.[81]
  3. Algumas fontes precedem a transcrição cuneiforme com "MUL". "MUL" é o símbolo cuneiforme utilizado na lingual sumeriana para designer uma estrela ou planeta, mas não é considerado parte do nome. O “4” é um número de referência para o sistema de transliteração sumero-acadiano para designar quais das várias sílabas um certo símbolo cuneiforme está provavelmente designando.[83]

Referências

  1. Yeomans, Donald K. (07/04/2008). HORIZONS System (em inglês). Página visitada em 12/03/2010.
  2. a b c d e f g Mercury Fact Sheet (em inglês). NASA Goddard Space Flight Center (30/11/2007). Página visitada em 17/02/2010.
  3. a b c d e f g h Munsell, Kirk; Smith, Harman; Harvey, Samantha (28/05/2009). Mercury: Facts & Figures (em inglês) Solar System Exploration. Página visitada em 12/03/2010.
  4. a b c Seidelmann; Archinal, B. A.; A’hearn, M. F.; et al.. . "Report of the IAU/IAGWorking Group on cartographic coordinates and rotational elements: 2006". Celestial Mechanics and Dynamical Astronomy 90. DOI:10.1007/s10569-007-9072-y. Página visitada em 28/08/2007.
  5. Jose Wudka (24/09/1998). Precessão do periélio de Mercúrio (em inglês).
  6. Campo magnético de Mercúrio (em inglês). Página visitada em 16/02/2010.
  7. Background Science (em inglês). Página visitada em 16/02/2010.
  8. a b c Dunne, J. A. e Burgess, E. (1978). The Voyage of Mariner 10 — Mission to Venus and Mercury (em inglês). Página visitada em 16/02/2010.
  9. Duncan, John Charles. Astronomy: A Textbook. [S.l.]: Harper & Brothers, 1946. 125 p.
  10. a b Strom, Robert. (1979). "Mercury: a post-Mariner assessment". Space Science Reviews 24: 3–70.
  11. staff (08/05/2003). Mercury. U.S. Geological Survey. Página visitada em 17/11/2006.
  12. Lyttleton, R. A.. (1969). "On the Internal Structures of Mercury and Venus" (em inglês). Astrophysics and Space Science 5 (1): 18. DOI:10.1007/BF00653933.
  13. Gold, Lauren (03/05/2007). Mercury has molten core, Cornell researcher shows (em inglês).
  14. a b Finley, Dave (03/05/2010). Mercury's Core Molten, Radar Study Shows. Página visitada em 17/02/2010.
  15. (2001) "The interior structure of Mercury: what we know, what we expect from BepiColombo" (em inglês). Planetary and Space Science 49 (14–15): 1561–1570. DOI:10.1016/S0032-0633(01)00093-9. Bibcode2001P&SS...49.1561S.
  16. Gallant, R. 1986. The National Geographic Picture Atlas of Our Universe. National Geographic Society, 2nd edição.
  17. J.D. Anderson, et al.. (10/07/1996). "Shape and Orientation of Mercury from Radar Ranging Data" (em inglês). Icarus 124: 690. Jet Propulsion Laboratory, California Institute of Technology. DOI:10.1006/icar.1996.0242.
  18. Schenk, P.; Melosh, H. J.;. . "Lobate Thrust Scarps and the Thickness of Mercury’s Lithosphere". Abstracts of the 25th Lunar and Planetary Science Conference 1994: 1994LPI....25.1203S. Página visitada em 17/02/2010.
  19. a b c d Benz, W.; Slattery, W. L.; Cameron, A. G. W.. (1988). "Collisional stripping of Mercury’s mantle" (em inglês). Icarus 74 (3): 516–528. DOI:10.1016/0019-1035(88)90118-2.
  20. a b Cameron, A. G. W.. (1985). "The partial volatilization of Mercury". Icarus 64 (2): 285–294. DOI:10.1016/0019-1035(85)90091-0.
  21. Weidenschilling, S. J.. (1987). "Iron/silicate fractionation and the origin of Mercury" (em inglês). Icarus 35 (1): 99–111. DOI:10.1016/0019-1035(78)90064-7.
  22. a b Grayzeck, Ed. MESSENGER Web Site (em inglês).
  23. BepiColombo (em inglês). ESA Science & Technology. European Space Agency. Página visitada em 17/02/2010.
  24. Staff (28 de fevereiro de 2008). Scientists see Mercury in a new light (em inglês). Science Daily. Página visitada em 17/02/2010.
  25. Blue, Jennifer (11/04/2008). Gazetteer of Planetary Nomenclature (em inglês). US Geological Survey. Página visitada em 17/02/2010.
  26. a b Dunne, J. A. e Burgess, E.. The Voyage of Mariner 10 — Mission to Venus and Mercury (em inglês). [S.l.]: NASA History Office, 1978. Capítulo: Capítulo sete,. Página visitada em 17/02/2010.
  27. Broadfoot, A. L.; S. Kumar, M. J. S. Belton, e M. B. McElroy. (12/07/1974). "Mercury's Atmosphere from Mariner 10: Preliminary Results" (em inglês). Science 185 (4146): 166–169. DOI:10.1126/science.185.4146.166. PMID 17810510.
  28. Staff (08/08/2003). Mercury. U.S. Geological Survey. Página visitada em 07/04/2008.
  29. Head, James W.; Solomon, Sean C.. (1981). "Tectonic Evolution of the Terrestrial Planets" (em inglês). Science 213 (4503): 62–76. DOI:10.1126/science.213.4503.62. PMID 17741171. Página visitada em 17/02/2010.
  30. (10/11/2008) "Mercury's crust is more analogous to a marbled cake than a layered cake." (em inglês). Aviation Week & Space Technology 169: 18.
  31. a b c d e f g Spudis, P. D.. (2001). "The Geological History of Mercury" (em inglês). Workshop on Mercury: Space Environment, Surface, and Interior, Chicago: 100.
  32. Shiga, David (30/01/2008). Bizarre spider scar found on Mercury's surface (em inglês).
  33. Schultz, Peter H.; Gault, Donald E.. (1975). "Seismic effects from major basin formations on the moon and Mercury". Earth, Moon, and Planets 12: 159–175. DOI:10.1007/BF00577875. Página visitada em 17/02/2010.
  34. Wieczorek, Mark A.; Zuber, Maria T.. (2001). "A Serenitatis origin for the Imbrian grooves and South Pole-Aitken thorium anomaly" (em inglês). Journal of Geophysical Research 106 (E11): 27853–27864. DOI:10.1029/2000JE001384. Página visitada em 17/02/2010.
  35. Denevi, B. W.; Robinson, M. S.. (2008). "Albedo of Immature Mercurian Crustal Materials: Evidence for the Presence of Ferrous Iron" (em inglês). Lunar and Planetary Science 39: 1750. Página visitada em 17/02/2010.
  36. a b c Wagner, R.J. et al.. (2001). "Application of an Updated Impact Cratering Chronology Model to Mercury's Time-Stratigraphic System" (em inglês). Workshop on Mercury: Space Environment, Surface, and Interior, Chicago: 106.
  37. Dzurisin, D.. (10/10/1978). "The tectonic and volcanic history of Mercury as inferred from studies of scarps, ridges, troughs, and other lineaments". Journal of Geophysical Research 83: 4883–4906. DOI:10.1029/JB083iB10p04883. Página visitada em 17/02/2010.
  38. Van Hoolst, Tim; Jacobs, Carla. (2003). "Mercury’s tides and interior structure" (em inglês). Journal of Geophysical Research 108 (E11): 7. DOI:10.1029/2003JE002126.
  39. Prockter, Louise. Ice in the Solar System (em inglês). number 2. [S.l.]: Johns Hopkins APL Technical Digest, 2005. vol. Volume 26.. Página visitada em 17/02/2010.
  40. Lewis, John S.. Physics and Chemistry of the Solar System. 2ª ed. [S.l.]: Academic Press, 2004. 463 p. ISBN 012446744X
  41. Murdock, T. L.; Ney, E. P.. (1970). "Mercury: The Dark-Side Temperature" (em inglês). Science 170 (3957): 535–537. DOI:10.1126/science.170.3957.535. PMID 17799708. Página visitada em 17/02/2010.
  42. Lewis, John S.. Physics and Chemistry of the Solar System (em inglês). [S.l.]: Academic Press, 2004. 461 p.. Página visitada em 17/02/2010.
  43. Ingersoll, Andrew P.; Svitek, Tomas; Murray, Bruce C.. (1992). "Stability of polar frosts in spherical bowl-shaped craters on the moon, Mercury, and Mars" (em inglês). Icarus 100 (1): 40–47. DOI:10.1016/0019-1035(92)90016-Z. Bibcode1992Icar..100...40I.
  44. Slade, M. A.; Butler, B. J.; Muhleman, D. O.. (1992). "Mercury radar imaging — Evidence for polar ice" (em inglês). Science 258 (5082): 635–640. DOI:10.1126/science.258.5082.635. PMID 17748898.
  45. Williams, David R. (02/06/2005). Ice on Mercury (em inglês). NASA Goddard Space Flight Center. Página visitada em 17/02/2010.
  46. a b c Rawlins, K; Moses, J. I.; Zahnle, K.J.. (1995). "Exogenic Sources of Water for Mercury's Polar Ice". Bulletin of the American Astronomical Society 27: 1117. Bibcode1995DPS....27.2112R.
  47. Harmon, J. K.; Perillat, P. J.; Slade, M. A.. (2001). "High-Resolution Radar Imaging of Mercury's North Pole" (em inglês). Icarus 149 (1): 1–15. DOI:10.1006/icar.2000.6544.
  48. Domingue, Deborah L. et al.. (agosto 2009). "Mercury's Atmosphere: A Surface-Bounded Exosphere". Space Science Reviews 131 (1–4): 161–186. DOI:10.1007/s11214-007-9260-9.
  49. Hunten, D. M.; Shemansky, D. E.; Morgan, T. H.. Mercury (em inglês). [S.l.]: University of Arizona Press, 1988. ISBN 0-8165-1085-7. Página visitada em 17/02/2010.
  50. Lakdawalla, Emily. MESSENGER Scientists 'Astonished' to Find Water in Mercury's Thin Atmosphere (em inglês). Página visitada em 17/02/2010.
  51. Zurbuchen, Thomas H. et al.. (2008). "MESSENGER Observations of the Composition of Mercury’s Ionized Exosphere and Plasma Environment" (em inglês). Science 321 (5885): 90–92. DOI:10.1126/science.1159314. PMID 18599777.
  52. Instrument Shows What Planet Mercury Is Made Of (em inglês). University of Michigan.
  53. a b c d Beatty, J. Kelly; Petersen, Carolyn Collins; Chaikin, Andrew. The New Solar System. [S.l.]: Cambridge University Press, 1999. ISBN 0521645875
  54. a b c Staff (30/01/2008). Mercury’s Internal Magnetic Field.
  55. Seeds, Michael A.. Astronomy: The Solar System and Beyond. 4ª ed. [S.l.]: Brooks Cole, 2004. ISBN 0534421113
  56. Williams, David R. (06/01/2005). Planetary Fact Sheets.
  57. Gold, Lauren (03/05/2007). Mercury has molten core, Cornell researcher shows (em inglês).
  58. Christensen, Ulrich R.. (2006). "A deep dynamo generating Mercury's magnetic field" (em inglês). Nature 444: 1056–1058. DOI:10.1038/nature05342.
  59. Spohn, T.; Sohl, F.; Wieczerkowski, K.; Conzelmann, V.. (2001). "The interior structure of Mercury: what we know, what we expect from BepiColombo" (em inglês). Planetary and Space Science 49: 1561–1570. DOI:10.1016/S0032-0633(01)00093-9.
  60. a b Steigerwald, Bill (02/06/2009). Magnetic Tornadoes Could Liberate Mercury's Tenuous Atmosphere (em inglês).
  61. a b c d e f g Strom; Sprague, Ann L.. Exploring Mercury: the iron planet. [S.l.]: Springer, 2003. ISBN 1852337311
  62. Space Topics: Compare the Planets: Mercury, Venus, Earth, The Moon, and Mars (em inglês).
  63. Espenak, Fred (21/04/2005). Transits of Mercury (em inglês).
  64. Weather, Weather, Everywhere? (24/04/2008).
  65. Biswas, S.. Cosmic Perspectives in Space Physics. [S.l.]: Springer, 2000. 176 p.
  66. a b Peale, S. J.; Jurgens, R. F.; Slade, M. A.; Holin, I. V.. (2007) "Large Longitude Libration of Mercury Reveals a Molten Core". Science 316: 710–714. DOI:10.1126/science.1140514. PMID 17478713. Página visitada em 19/02/2010.
  67. O'Keefe, John A.. "Theory of Rotation for the Planet Mercury" (em inglês). Science 150. DOI:10.1126/science.150.3704.1717. PMID 17768871.
  68. Correia, Alexandre C.M; Laskar, Jacques. (2009). "Mercury's capture into the 3/2 spin-orbit resonance including the effect of core-mantle friction" (em inglês). Icarus. DOI:10.1016/j.icarus.2008.12.034. Página visitada em 23/02/2010.
  69. Correia, Alexandre C. M.; Laskar, Jacques. (2004). "Mercury’s capture into the 3/2 spin–orbit resonance as a result of its chaotic dynamics" (em inglês). Nature 429: 848–850. DOI:10.1038/nature02609.
  70. U. Le Verrier (1859). Lettre de M. Le Verrier à M. Faye sur la théorie de Mercure et sur le mouvement du périhélie de cette planète (em francês). Página visitada em 23/02/2010.
  71. Baum, Richard; Sheehan, William. In Search of Planet Vulcan, The Ghost in Newton's Clockwork Machine. New York: Plenum Press, 1997. ISBN 0-306-45567-6
  72. Clemence, G. M.. (1947). "The Relativity Effect in Planetary Motions". Reviews of Modern Physics 19: 361–364. DOI:10.1103/RevModPhys.19.361.
  73. Gilvarry, J. J.. (1953). "[1]" (subscription required) (em ingles). Physical Review 89: 1046. DOI:10.1103/PhysRev.89.1046. Página visitada em 24/02/2010.
  74. Anônimo. 6.2 Anomalous Precession (em inglês) Reflections on Relativity. Página visitada em 24/02/2010.
  75. Espenak, Fred (25/07/1996). Twelve Year Planetary Ephemeris: 1995–2006 (em inglês) NASA Reference Publication 1349. Página visitada em 24/02/2010.
  76. Baumgardner, Jeffrey; Mendillo, Michael; Wilson, Jody K.. (2000). "A Digital High-Definition Imaging System for Spectral Studies of Extended Planetary Atmospheres. I. Initial Results in White Light Showing Features on the Hemisphere of Mercury Unimaged by Mariner 10" (em inglês). The Astronomical Journal 119: 2458–2464. DOI:10.1086/301323.
  77. John Walker. Mercury Chaser's Calculator (em inglês). Página visitada em 24/02/2010. (veja em 1964 e 2013)
  78. Mercury Elongation and Distance (em inglês). Página visitada em 24/02/2010.
  79. a b Patrick Kelly, ed.. Observer's Handbook 2007. [S.l.]: Royal Astronomical Society of Canada, 2007. ISBN 0-9738109-3-9
  80. Tunç Tezel (22/01/2003). Total Solar Eclipse of 2006 March 29 (em inglês).
  81. Espenak, Fred (1996). NASA Reference Publication 1349; Venus: Twelve year planetary ephemeris, 1995–2006 (em inglês) Twelve Year Planetary Ephemeris Directory. Página visitada em 24/02/2010.
  82. Schaefer, Bradley E.. (2007). "The Latitude and Epoch for the Origin of the Astronomical Lore in MUL.APIN" (em inglês). American Astronomical Society Meeting 210, #42.05. American Astronomical Society. Página visitada em 25/02/2010.
  83. Hunger, Hermann; Pingree, David. (1989). "MUL.APIN: An Astronomical Compendium in Cuneiform". Archiv für Orientforschung 24: 146. Austria: Verlag Ferdinand Berger & Sohne Gesellschaft MBH.
  84. Staff (2008). MESSENGER: Mercury and Ancient Cultures (em inglês). Página visitada em 25/02/2010.
  85. H.G. Liddell e R. Scott; rev. H.S. Jones and R. McKenzie. Greek–English Lexicon, with a Revised Supplement. 9ª edição ed. Oxford: Clarendon Press, 1996. 690 e 1646 p. ISBN 0-19-864226-1
  86. Antoniadi, Eugène Michel; Translated from French by Moore, Patrick. The Planet Mercury. Shaldon, Devon: Keith Reid Ltd, 1974. 9–11 p.
  87. Kelley, David H.; Milone, E. F.; Aveni, Anthony F.. Exploring Ancient Skies: An Encyclopedic Survey of Archaeoastronomy. [S.l.]: Birkhäuser, 2004. ISBN 0387953108
  88. Pujari, R.M.; Kolhe, Pradeep; Kumar, N. R.. Pride of India: A Glimpse Into India's Scientific Heritage. [S.l.]: Samskrita Bharati, 2006. ISBN 8187276274
  89. Bakich, Michael E.. The Cambridge Planetary Handbook. [S.l.]: Cambridge University Press, 2000. ISBN 0521632803
  90. Milbrath, Susan. Star Gods of the Maya: Astronomy in Art, Folklore and Calendars. [S.l.]: University of Texas Press, 1999. ISBN 0292752261
  91. Rufus, W. C.. (maio de 1939). "The Influence of Islamic Astronomy in Europe and the Far East". Popular Astronomy 47: 233–238 [237].
  92. Willy Hartner, "The Mercury Horoscope of Marcantonio Michiel of Venice", Vistas in Astronomy, 1 (1955): 84-138, at pp. 118-122.
  93. Ansari, S. M. Razaullah (2002). "History of oriental astronomy: proceedings of the joint discussion-17 at the 23rd General Assembly of the International Astronomical Union, organised by the Commission 41 (History of Astronomy), held in Kyoto, August 25-26, 1997". {{{booktitle}}}, Springer. 
  94. Goldstein, first=Bernard R.. (1969). "Some Medieval Reports of Venus and Mercury Transits". Centaurus 14: 49–59. DOI:10.1111/j.1600-0498.1969.tb00135.x. Bibcode1969Cent...14...49G.
  95. Livingston, John W.. (1971). "Ibn Qayyim al-Jawziyyah: A Fourteenth Century Defense against Astrological Divination and Alchemical Transmutation". Journal of the American Oriental Society 91: 96–103 [99]. DOI:10.2307/600445.
  96. Roberts, V.; Kennedy, E. S.. (1959). "". Isis 50: 232–234.
  97. Sabra=A. I.. (1998). "Configuring the Universe: Aporetic, Problem Solving, and Kinematic Modeling as Themes of Arabic Astronomy". Perspectives on Science 6: 288–330.
  98. Guessoum, N.. (2008). "Copernicus and Ibn Al-Shatir: does the Copernican revolution have Islamic roots?". The Observatory 128: 231–239. Bibcode2008Obs...128..231G.
  99. Ramasubramanian, K.. . "Model of planetary motion in the works of Kerala astronomers" (em inglês). Bulletin of the Astronomical Society of India 26: 11–31 [23–4]. Página visitada em 12/03/2010.
  100. Joseph, George G.. The Crest of the Peacock: Non-European Roots of Mathematics. [S.l.]: Princeton University Press, 2000. p. 408.
  101. Ramasubramanian, K.; Srinivas, M. D.; Sriram, M. S.. (1994). "Modification of the earlier Indian planetary theory by the Kerala astronomers (c. 1500 AD) and the implied heliocentric picture of planetary motion]". Current Science 66: 784–790.
  102. Sinnott, RW; Meeus, J. (1986). "John Bevis and a Rare Occultation" (em inglês). Sky and Telescope 72: 220. Página visitada em 25/02/2010.
  103. Ferris, Timothy. Seeing in the Dark: How Amateur Astronomers. [S.l.]: Simon and Schuster, 2003. ISBN 0684865807
  104. a b Colombo, G.; Shapiro, I. I.. . "The Rotation of the Planet Mercury" (em inglês). SAO Special Report #188R. Página visitada em 25/02/2010.
  105. Holden, E. S.. (1890). "Announcement of the Discovery of the Rotation Period of Mercury [by Professor Schiaparelli]" (em inglês). Publications of the Astronomical Society of the Pacific 2: 79. DOI:10.1086/120099. Página visitada em 25/02/2010.
  106. Davies, Merton E., et al.. Atlas of Mercury (em inglês). [S.l.]: NASA Office of Space Sciences, 1978. Capítulo: Surface Mapping,. Página visitada em 25/02/2010.
  107. Evans, J. V.; Brockelman, R. A.; Henry, J. C.; Hyde, G. M.; Kraft, L. G.; Reid, W. A.; Smith, W. W.. (1965). "Radio Echo Observations of Venus and Mercury at 23 cm Wavelength" (em inglês). Astronomical Journal 70: 487–500. DOI:10.1086/109772. Página visitada em 26/02/2010.
  108. Moore, Patrick. The Data Book of Astronomy (em inglês). New York: CRC Press. ISBN 0750306203. Página visitada em 26/02/2010.
  109. Butrica, Andrew J.. To See the Unseen: A History of Planetary Radar Astronomy (em inglês). [S.l.]: NASA History Office, Washington D.C., 1996. Capítulo: Capítulo 5,. Página visitada em 26/02/2010.
  110. Pettengill, G. H.; Dyce, R. B.. (1965). "A Radar Determination of the Rotation of the Planet Mercury" (em inglês). Nature 206: 451–2. DOI:10.1038/2061240a0.
  111. Weisstein, Eric. 'World of Astronomy' (em inglês). Página visitada em 26/02/2010.
  112. Murray, Bruce C.; Burgess, Eric. Flight to Mercury. [S.l.]: Columbia University Press, 1977. ISBN 0231039964
  113. Colombo, G.. (1965). "Rotational Period of the Planet Mercury" (em inglês). Nature 208: 575. DOI:10.1038/208575a0. Página visitada em 26/02/2010.
  114. Davies, Merton E. et al. (1976). Mariner 10 Mission and Spacecraft (em inglês) SP-423 Atlas of Mercury. Página visitada em 26/02/2010.
  115. Dantowitz, R. F.; Teare, S. W.; Kozubal, M. J.. (2000). "[2]" (em inglês). Astronomical Journal 119: 2455–2457. DOI:10.1016/j.asr.2005.05.071. Página visitada em 26/02/2010.
  116. L. V. Ksanfomality. (2006). "Earth-based optical imaging of Mercury" (em inglês). Advances in Space Research 38: 594. DOI:10.1016/j.asr.2005.05.071. Página visitada em 26/02/2010.
  117. Harmon, J. K. et al.. (2007). "Mercury: Radar images of the equatorial and midlatitude zones" (em inglês). Icarus 187: 374. DOI:10.1016/j.icarus.2006.09.026. Página visitada em 26/02/2010.
  118. a b Dunne, J. A. and Burgess, E.. The Voyage of Mariner 10 — Mission to Venus and Mercury (em inglês). [S.l.]: NASA History Office, 1978. Capítulo: Chapter Four,. Página visitada em 01/03/2010.
  119. Mercury (em inglês) (05/05/2008). Página visitada em 02/03/2010.
  120. Leipold, M.; Seboldt, W.; Lingner, S.; Borg, E.; Herrmann, A.; Pabsch, A.; Wagner, O.; Bruckner, J.. (1996). "Mercury sun-synchronous polar orbiter with a solar sail" (em inglês). Acta Astronautica 39: 143–151. DOI:10.1016/S0094-5765(96)00131-2.
  121. Phillips, Tony (1976). NASA 2006 Transit of Mercury SP-423 Atlas of Mercury. Página visitada em 02/03/2010.
  122. Título não preenchido, favor adicionar (em inglês).
  123. Tariq Malik (16/08/2004). MESSENGER to test theory of shrinking Mercury (em inglês). Página visitada em 02/03/2010.
  124. Merton E. Davies, et al.. Atlas of Mercury (em inglês). [S.l.]: NASA Office of Space Sciences, 1978. Capítulo: Mariner 10 Mission and Spacecraft,. Página visitada em 02/03/2010.
  125. Ness, Norman F.. (1978). "Mercury - Magnetic field and interior" (em inglês). Space Science Reviews 21: 527–553. DOI:10.1007/BF00240907. Bibcode1978SSRv...21..527N. Página visitada em 02/03/2010.
  126. Dunne, J. A. and Burgess, E.. The Voyage of Mariner 10 — Mission to Venus and Mercury (em inglês). [S.l.]: NASA History Office, 1978. Capítulo: Chapter Eight,. Página visitada em 02/03/2010.
  127. Grayzeck, Ed (02/04/2008). Mariner 10 (em inglês). Página visitada em 02/03/2010.
  128. MESSENGER Engine Burn Puts Spacecraft on Track for Venus (em inglês) (2005). Página visitada em 03/02/2010.
  129. a b Countdown to MESSENGER's Closest Approach with Mercury (em inglês) (14/01/2008). Página visitada em 03/02/2010.
  130. MESSENGER Gains Critical Gravity Assist for Mercury Orbital Observations (em inglês) (30/09/2009). Página visitada em 03/02/2010.
  131. a b ESA gives go-ahead to build BepiColombo (em inglês) (26/02/2007). Página visitada em 03/02/2010.
  132. Fleming, Nic (18/01/2008). Star Trek-style ion engine to fuel Mercury craft (em inglês). Página visitada em 03/03/2010.
  133. Objectives (em inglês) (21/02/2010). Página visitada em 03/03/2010.
  134. Hyginus. Astronomica, 2.42. Citado em Hermes God of Astronomy & the Calendar. Theoi Project
  135. Mercúrio. Página visitada em 18/03/2010.
  136. Mercúrio na astrologia. Página visitada em 18/03/2010.
  137. Mercúrio, inteligência emocional e mal-entendidos. Página visitada em 18/03/2010.
  138. Mercúrio retrógado. Página visitada em 18/03/2010.
  139. a b Stableford, Brian M. Science fact and science fiction: an encyclopedia. CRC Press, 2006. pp. 298-299

Ligações externas

Este é um artigo destacado. Clique aqui para mais informações


Ver avaliações
Avaliar esta página
Credibilidade
Imparcialidade
Profundidade
Redação

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Wikipedia

Resultados da pesquisa

Seguidores

Barra de vídeos

Loading...
Ocorreu um erro neste gadget